Para estudar coreografias de ballets de repertório

Vamos voltar às origens deste lugar e falar especificamente de ballet clássico?

Vou compartilhar dois materiais sobre coreografias de ballets de repertório. Não apenas para quem quer estudar, mas também dançar algumas das coreografias mais importantes e conhecidas desses ballets.

PRIMEIRO: SEQUÊNCIAS DE COREOGRAFIAS
Para assistir: YouTube e Instagram

Tempos atrás, encontrei o perfil de Jaqueline Tirabassi, bailarina formada na escola do Teatro alla Scala e professora nessa mesma instituição.

Ela teve uma grande ideia: fazer vídeos de sequências de ballets de repertório decodificando os passos da coreografia. Assistimos à sequência, depois ela é repetida com o nome de cada passo na tela. Vendo assim, passo a passo, temos clareza dos movimentos. Parece óbvio para quem tem domínio técnico, mas para quem está aprendendo, mostrar a coreografia dessa forma, mesmo que seja apenas um trecho, faz uma imensa diferença. Além disso, a produção é linda!

Infelizmente, são poucos os vídeos publicados e o canal não é mais atualizado. Sem problemas, dá para estudar com o material já desenvolvido.

Escolhi duas sequências: o pas de quatre dos pequenos cisnes, de O lago dos cisnes, e Serenade.

Swan Lake, ballet, how to perform Four Little Swans

Serenade, ballet, how to perform Serenade for Strings in C, Op.48

SEGUNDO: COREOGRAFIAS COMPLETAS
Para assistir: YouTube
Para baixar a lista de variações: PDF

Eu tenho um acervo de vídeos de dança, mas para estudo individual mesmo. Essa preciosidade eu guardo há anos: 30 variações completas de repertório, tanto femininas quanto masculinas. Todas são realizadas em uma sala de dança, com legenda no início, mas a cópia está em uma qualidade bem baixa. Infelizmente, não consegui encontrar informações sobre esse material, tem jeito de VHS dos anos 1980. Alguém sabe alguma coisa?

Enquanto não descobrimos, aproveitem uma hora de O lago dos cisnes, A Bela Adormecida, O Quebra-Nozes, Raymonda, Chopiniana, Dom Quixote, Coppélia, La fille mal gardèe, O corsário e La bayadère. A lista completa de variações vocês podem ver, e baixar, aqui.

Classical Heritage, 30 Classic Variations as Coreographed by Russian Ballets

Qual dança diz quem você é?

Eu estava há alguns anos sem fazer aulas de dança e queria voltar a estudar em um estúdio. Por que não tentar um outro caminho? Assim, comecei a fazer flamenco.

Em um sábado qualquer, eu era a única aluna presente. Enquanto eu esperava a professora chegar, fiquei parada na porta da sala ouvindo o que estava acontecendo na sala ao lado. A música entregava o mistério, era aula de ballet clássico.

Quando acabou, vi várias alunas adultas saindo de lá. Olhei para elas, collant, meia-calça rosa, sapatilhas, algumas um pouco mais alinhadas, outras levemente desarranjadas. Olhei para mim, saia longa ajustada ao corpo e rodada na barra, blusa de manga três quartos, sapato de salto quadrado. Flamenco é assim: você pode até tentar ser largada, mas não consegue, parece que estamos sempre lindas.

Nesse “olhar para elas” e “olhar para mim”, eu não me reconheci.

Não foi a primeira vez que esse não reconhecimento aconteceu. Anos antes, foi assim durante uma aula experimental de dança de rua e também aconteceu antes de uma apresentação de dança do ventre. Em ambos os casos, olhei no espelho e não me enxerguei ali. Mas dessa vez foi diferente, não sei por quê. Desde então, a ideia de uma dança que mostra quem somos ficou na minha cabeça.

Assim, pergunto a vocês: Qual dança diz quem você é?

Não pense em qualidade técnica, em anos de estudo, em dançar bem. Existe alguma dança que encontra a sua alma, que ao se olhar no espelho você sorri sem querer. Talvez você nunca a tenha dançado, mas algo lhe diz que seria um belo encontro.

Qual é a minha? Eu ainda não sei. Quem me conhece bem costuma me associar a danças de saias longas e rodadas, de flores nos cabelos, como nessa cena da minissérie Capitu. Aquele momento lá atrás em que me reconheci no ballet clássico não existe mais. Isso também acontece: o tempo passa, as coisas mudam e não somos mais a mesma pessoa. O que antes nos dizia tanta coisa perdeu o sentido. Alguém já passou por isso? O ballet e eu, por exemplo.

Talvez exista relação entre as características de cada dança e de cada pessoa. O ballet tem um ar onírico, delicado, um tanto pueril. O jazz é energia e ritmo, além de juvenil, não importa a idade de quem esteja dançando. O flamenco é belo, musical e imponente, toma conta de tudo. A dança contemporânea dialoga com o tempo e com a realidade na qual está inserida. O sapateado é a habilidade de um corpo que canta, os pés são um instrumento musical.

Existem outras tantas danças, mas escolhi essas cinco porque são algumas das mais comuns nos estúdios de dança do Brasil. Selecionei um vídeo para cada uma delas, todos com no máximo dois minutos, e a escolha foi proposital: são sempre pessoas dançando sozinhas. É mesmo o momento do “eu”, de olhar e se encontrar.

Quando eu descobrir a minha dança, eu volto para contar. Enquanto isso, divirtam-se, e me contem qual é a dança de vocês.

BALLET CLÁSSICO: “Variação de Swanilda”, primeiro ato, Coppélia, Pacific Northwest Ballet, Leta Biasucci

JAZZ: Who Are You / The Night Comes Again, Nicholas Palmquist

FLAMENCO: “Enternal monolouge”, Melina Najjar

DANÇA CONTEMPORÂNEA: Solo de Suíte Branca, Grupo Corpo, [não consegui descobrir quem é a bailarina]

SAPATEADO:Alexander Hamilton”, Hamilton, Bayley Graham

Um encontro, uma palestra e uma animação

Hoje é feriado no Brasil. Por causa do Carnaval? Não, é Dia de Tiradentes, mas a folia vai acontecer sim, neste fim de semana, depois da Páscoa. Essa loucura do calendário é apenas um reflexo desses últimos dois anos na nossa vida.

Sendo assim, vou aproveitar o momento de folga para fazer algumas indicações. Nada de textos, para descansar um pouco, apenas vídeos. Eu separei um encontro, uma palestra e uma animação. Vamos lá?

O QUE PODE O CORPO?, CAFÉ FILOSÓFICO, DANI LIMA E VIVIANE MOSÉ
idioma: português
duração: 47min51seg
assistir: clique aqui

Realizado em 2009, eu assisti a essa mesa-redonda anos atrás. Guardei o link para publicar no blog e nunca havia encontrado o momento certo, mas finalmente chegou a sua vez. Dani Lima é bailarina e coreógrafa, ela fala sobre o corpo e a dança; Viviane Mosé é filósofa e participa da conversa; juntas, elas falam sobre o corpo ao longo da história do pensamento. Esse é um daqueles encontros que mudam nossa visão de mundo e abrem diversas janelas dentro da gente. Acreditem em mim, vale muito a pena.

A BALLERINA’S SECOND ACT, TEDx, MIKO FOGARTY
idioma: inglês, legendado em português
duração: 10min6seg
assistir: clique aqui

Quem se lembra da Miko Fogarty? Aos 12 anos, ela participou do documentário First Position (2011) ao lado de outras promessas da dança. Ela era onipresente nos festivais, provavelmente você a viu em algum deles. Ganhou fãs ao redor do mundo e era nítido qual seria o seu futuro: primeira-bailarina de uma grande companhia. Hoje ela é estudante de medicina. Sim, ela abandonou a carreira e, nessa palestra, ela conta os motivos que a fizeram mudar de caminho. É para repensarmos um punhado de coisas, de verdade.

MARIA BADERNA, MULHERES FANTÁSTICAS #11, FANTÁSTICO
idioma: português
duração: 1min11seg
assistir: clique aqui

Vocês sabem de onde surgiu a palavra “baderna” como sinônimo de “bagunça”? Veio do sobrenome da bailarina Maria Baderna. Em 2020, a sua história foi contada no quadro “Mulheres Fantásticas“, do Fantástico. Na mesma época, eu aproveitei o ensejo e fiz um post sobre ela. Essa animação é tão encantadora que vale a repetição.

Badernem muito e até semana que vem!