Por favor, não apague o seu conteúdo

O Dos passos da bailarina existe há 12 anos e estão publicados 991 posts. A maioria deles tem links para outras informações, além de vídeos sobre dança.

Depois de tanto tempo, é possível imaginar quantas dessas informações simplesmente “sumiram” da internet. Vídeos foram apagados do YouTube e do Vimeo, posts e textos foram apagados de outros sites e, assim, as publicações do meu blog acabaram ficando incompletas.

Por essa razão, eu resolvi revisar todos os posts do blog para repor essas informações. Dois anos estão prontos, 2009 e 2010, e só então eu percebi a gravidade da situação.

Em relação ao YouTube, no começo os vídeos eram publicados em contas pessoais e o próprio site apagava esses vídeos por causa dos direitos autorais. Com a criação de contas oficias das companhias, ficou mais fácil para quem escreve sobre dança, porque raramente esses vídeos são apagados.

Em relação aos links externos, é desolador. Não é possível dimensionar o número de blogs e sites apagados, textos completos e informativos que simplesmente desapareceram. Nesses casos, não há como repor. Eu tenho feito o seguinte: ou deixo lá mesmo, porque todo o meu texto teve como base aquela informação, ou eu aviso o que aconteceu. Em ambos os casos, o post ficará incompleto, não tem jeito.

Eu criei meu primeiro blog em 2003 e vieram outros depois dele. Já apaguei blog inteiro? Sim. Já apaguei posts? Sim. Na maioria das vezes, foram textos literários meus, que depois reuni em um livro. No caso deste blog, mesmo depois do livro, tudo continuou por aqui, porque ele é fonte de informação e pesquisa.

Se você tem blog, perfis em redes sociais, conta no YouTube: por favor, mantenha o seu conteúdo. Se quiser, o atualize, mas não o apague. Quando você faz isso, compromete toda uma rede de transmissão de informação. Às vezes, nos esquecemos que este é o principal objetivo da internet.

A dança além do eu

Meses atrás, o crítico de dança Henrique Rochelle publicou em sua coluna 3ºSinal o texto “A dança do outro“. Presença frequente nas plateias e não nos palcos, sempre o indagam: “Mas você também não dança?”.

Antes mesmo de ler o texto, disse a ele que talvez essa pergunta fosse recorrente porque falamos muito mais da dança como prática do que da dança como manifestação artística. Ele me respondeu que “suspeitava que fosse uma coisa do protagonismo do corpo. O corpo é tão central na dança e na discussão da dança, e ele é tão ‘eu’, que talvez aumente a dificuldade em aceitar outro vínculo”. Li o seu texto e fiquei com isso na cabeça.

Pouco tempo depois, assisti às primeiras cenas dos episódios da série “Move” e as pessoas entrevistadas usaram o pronome “eu” o tempo todo. Não é algo isolado, parece que vivemos em uma pirueta eterna, olhando apenas para dentro.

Lembrei do Henrique no mesmo instante. Entendi como a dança é vista a partir do “eu”, como se ela existisse primeiramente em cada um e, quem sabe, no outro quando eu desligar um pouco o que existe em mim.

Será que não precisamos mudar a chave e de vez em quando trocar o “eu” pelo “nós”? Existimos juntos e dançamos juntos, o tempo todo.

Neste Dia Internacional da Dança, vamos olhar para fora: Quem dança ao nosso lado? Quem está dançando ao nosso redor?  Quem está fazendo dança, criando dança, dançando no mundo?

A meu ver, a dança se tornaria cada vez mais interessante, bela, potente e transformadora.

Doze anos de blog

Ontem, estava eu fazendo uma lista de nomes para um blog sobre ballet clássico, porque eu me sentia um peixe fora d’água e queria escrever sobre o assunto. Doze anos depois, estou eu escrevendo sobre um blog que faz parte da minha vida.

Em 2009, eu fazia aulas de ballet clássico há quase dois anos, estava apaixonada por esse novo caminho, mas me sentia deslocada, sentia que ali não era o meu lugar. Escrevi sobre esse sentimento algumas vezes, nem sempre fui compreendida, noutras fui acolhida, mas vocês acreditam que esse sentimento nunca passou? Fazer ballet continua sendo um lugar estranho para mim, como estar apaixonada por alguém que nunca pareceu me notar.

Hoje, ao olhar para trás, esse início parece uma outra vida! Um passado distante, em que nos esforçamos para relembrar. A dança tomou outros espaços na minha vida, na plateia e na escrita, mas não mais nas sapatilhas.
Isso vai mudar? Quem sabe um dia. Quem sabe um dia eu volte a dançar.

Independentemente desta minha relação com a dança, o blog continuou e agora virou uma adolescente. Doze anos e quase mil posts depois, quanta dança estão nestes textos. Eu estou fazendo uma revisão de todos os vídeos, repondo os links quebrados e deixando este acervo de informação no seu melhor para vocês pesquisarem o quanto quiser.

Além disso, vocês sabem quem está por trás do “Dos passos da bailarina”? Para àquelas pessoas que não me conhecem, o meu perfil e como o blog começou estão aqui.

Agora, vamos comemorar? Um vídeo curtinho, de um minuto, que acredito ser uma bela versão do atual momento do “Dos passos da bailarina”.

A vocês que acompanham o blog, há pouco tempo ou desde sempre, muito obrigada! Sem vocês, o blog não teria razão de existir.

Trecho de Her Door to the Sky, Pacific Northwest Ballet, 2017.