Uma Swanilda de tempos atrás

Depois de um mês sem publicações, porque havia um punhado de trabalho para concluir, cá estou sem um longo texto, mas com uma delicadeza.

Carla Fracci (para mim, a melhor Giselle) dançando a “Variação de Swanilda”, do terceiro ato de Coppélia. Sim, aquela variação do casamento. Não consegui descobrir a referência do vídeo, mas tudo indica para um especial de TV.

Como era linda, né? Tanto faz a coreografia ou a obra, eu fico encantada por ela sempre.

Carla Fracci, “Variação de Swanilda”, terceiro ato, Coppélia, 1971.

Fonte: Pointe Magazine

Dançar em qualquer lugar

Uma menina febril de três anos dançando na sala de espera do pediatra. Era eu. Quando minha mãe me contou essa história, fiquei me imaginando toda serelepe dançando sem me importar com ninguém.

Crianças costumam ser assim, mas o tempo passa, elas viram adultas e dançar na frente dos outros só em situações muito específicas. Dançar por aí está fora de cogitação.

Bem, nem todo mundo é assim depois de crescer. Eu ainda danço publicamente sem me importar com as outras pessoas.

Eu tenho bom senso, não danço na sala de espera antes de uma consulta tampouco me comporto por aí como se estivesse em um palco da Broadway. Mas, de maneira mais contida, danço na rua, nos corredores do supermercado, nas sanfonas dos ônibus gigantes de São Paulo, em casa. O tempo todo.

Uma vez, na fila do caixa de um supermercado, a atendente me chamou umas três vezes, mas eu demorei a perceber porque estava dançando e cantando a música que tocava no estabelecimento. Ganhei um sorriso e não uma cara feia. E essa é apenas uma situação, tenho várias para contar.

Sim, eu também canto, ou a minha música preferida do momento, ou alguma associada à situação, ou invento na hora mesmo. Quem mais convive com isso são os meus cachorros, o Logan e a Bela, que sempre ganham músicas na hora de comer, tomar remédio e ganhar carinho. Quem recebe meus áudios por mensagem também costuma me ouvir cantar aleatoriamente, vez ou outra.

A sensação é de que a minha vida é um musical de apenas uma espectadora: eu.

Parece que sempre foi assim, mas as coisas se intensificaram lá em 2007, quando comecei a fazer aulas de ballet e dança do ventre. Depois de passar por dez danças, pensem comigo: em maior ou menor grau, meu corpo adquiriu repertório de movimentos bem distintos. Quando danço em casa ouvindo música, e então posso me soltar, esses movimentos surgem para compor uma coreografia que nunca mais vou conseguir repetir.

Eu disse várias vezes ao longo dos últimos tempos que quero voltar a dançar. Pensando bem, eu nunca parei de fato. Eu só não faço aulas de dança, e sinto muita falta, mas a dança está ali, o tempo todo, e eu não havia percebido isso.

Vocês também dançam assim ou é coisa minha?

Às vezes, penso que eu deveria sossegar, noutras, penso que sempre fui assim. Por isso, vou seguir dançando por aí até o fim dos meus dias.

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A playlist “Dançar em qualquer lugar” foi criada especialmente para o post, com as minhas músicas preferidas do momento. Aqui está a lista completa e apenas uma prévia de cada música. Para abrir diretamente no Spotify e ouvir as músicas inteiras, clique aqui.