La cachucha

Cachucha é uma dança espanhola cantada e sapateada e, por extensão, a música que a acompanha recebe o mesmo nome. Sabiam que era uma dança difundida no Brasil no século 19?

Fanny Elssler em La cachucha, 1936. Fonte: Wikimedia Commons.

Em 1936, ela tornou-se popular graças à bailarina Fanny Elssler que dançou La cachucha no ballet O diabo manco, de Jean Coralli. A coreografia completa tem seis minutos, mas repetem-se basicamente os mesmos passos enquanto a bailarina vai se movendo delicadamente ao redor do espaço.

Na série Ballet Evolved, do Royal Ballet, no vídeo dedicado à Fanny Elssler, temos uma breve explicação sobre a coreografia. Primeiro, a bailarina faz a sequência final em um ritmo um pouco mais lento, para evidenciar os movimentos: o tronco é muito mais utilizado, de maneira constante, e pode-se realmente sentir o corpo. Depois, ela dança normalmente. Nós conseguimos ter uma bela ideia da coreografia e de sua importância na dança.

Ballet Evolved, Fanny Elssler (1810-1884), Royal Ballet, 2013.

Para quem gosta de mais informações, a notação coreográfica de La cachucha. Dá vontade de ficar um bom tempo analisando essa imagem.

Notação coreográfica de La cachucha, Friedrich Albert Zorn, 1886. Fonte: Wikimedia Commons.

Por fim, a grande Carla Fracci dançando a coreografia. Assisti-la depois de saber essas informações é bem diferente, não é?

Carla Fracci, La cachucha, programa “The Ballerinas”, 1987.

Yulia Stepanova fala sobre “Raymonda”

Para divulgar a exibição nos cinemas de Raymonda no dia 27 de outubro, o Bolshoi divulgou este vídeo. Enquanto assistimos à bailarina Yulia Stepanova dançando a variação mais conhecida do ballet, ouvimos sua voz falando brevemente sobre a obra, o papel principal e essa variação.

Como a narração foi feita em russo e as legendas estão em inglês, eu traduzi livremente para o português.

Além de aprender um pouco mais sobre Raymonda, o vídeo por si só é lindo.

Yulia Stepanova talks about “Raymonda” ballet, Bolshoi Theatre, out. 2019.

“Meu nome é Yulia Stepanova. Eu sou primeira-bailarina do Teatro Bolshoi.

“Raymonda é um dos papéis mais difíceis do repertório clássico, todos os solos ao longo do espetáculo representam os seus diversos retratos emocionais, eles mostram uma mudança de humor e uma alma de mulher.

“Raymonda é a jovem sobrinha da Condessa de Daurice, ela chega para uma festa no castelo, despreocupada e apaixonada no mundo, uma jovem mulher radiante.

“Na ‘Variação do casamento’ [também conhecida como ‘Variação da claque’ ou ‘Variação do grand pas’] no ato 3, Raymonda já está mais madura, real [da realeza] e reluzente. Uma forte técnica clássica é combinada com um estilo folclórico húngaro de movimento dos braços, que traz um tipo de brilho e singularidade ao estado de ânimo. Com pas de bourrées muito delicados, a bailarina desliza pelo palco esboçando desenhos sinuosos com seus pés.

“Eu acho que quando o público assiste a essa obra, eles ficam imersos a princípio no mundo onírico espiritual de Raymoda, em uma profunda mas silenciosa meditação. Lentamente os movimentos e a música chegam a um ‘crescendo’, eles se desenvolvem e se transformam em uma brilhante dança vigorosa, que realmente cativa e envolve a plateia.

“Este espetáculo exala feminilidade, jovialidade e amor luminoso e devotado.”

Aurora e uma pausa no tempo

Estava eu preparando a publicação desta segunda, que seria um texto, e resolvi pesquisar uma bela imagem para ilustrá-la. Pesquiso aqui, olho ali, vejo acolá e me deparo com uma fotografia da Sarah Lane, para a Pointe Magazine, usando um dos figurinos de Aurora da reconstrução de A Bela Adormecida do Alexei Ratmansky.

Sarah Lane, Pointe Magazine, novembro de 2015. Foto: Nathan Sayers.

“Ora, ora, ora, não vai tomar muito o meu tempo se eu assistir a algum vídeo dessa montagem, vai?”.

Aí me deparo com a Sarah Lane usando este figurino, ensaiando uma das variações de Aurora na Ópera de Paris, quando o American Ballet Theatre fez parte da temporada 2016/2017 da companhia. Adeus, texto, nos vemos em outro dia da semana.

Sarah Lane, ensaio da “Variação de Aurora” do segundo ato, A Bela Adormecida, Ópera de Paris (Opéra Bastille), 2016.