Das críticas

Às vezes eu assisto ao quadro Dança dos Famosos, no Domingão do Faustão. Gosto de prestar atenção nas análises do júri e, confesso, respeito apenas os profissionais da área. O chamado “júri artístico” fala tanta bobagem que abstraio.

Ontem, a modalidade da vez foi dança cigana. Como fiz aula por seis meses com uma professora excelente, a minha análise foi outra. Os casais das quatro apresentações receberam várias notas 10, mas será que mereceram? Será que se os dois profissionais da área, respeitadíssimos por sinal, não estivessem ao vivo em um programa de televisão, seriam tão condescendentes?

Sim, porque ninguém ali merecia aquelas notas. Eu percebi de longe vários erros, não apenas no desenvolvimento da coreografia como da dança em si. Além disso, é muito fácil perceber um olhar atravessado de uma atriz ao receber um 9 ou de outra que recebeu uma crítica mais contundente em programas passados. Ninguém gosta de ser criticado em rede nacional, eu também não gostaria. Mas aquilo é uma competição, não um encontro entre amigos.

Peguei esse quadro apenas para ilustrar como não conseguimos criticar. Não só, não sabemos ser criticados.

Temos medo de falar algo e a outra pessoa levar para o lado pessoal. Não pega bem. Preferimos focar no 1% de acertos do que analisar os 99% de erros.

Por outro lado, queremos os louros para ontem se começamos anteontem. Legitimamos o medo alheio, porque levamos sim para o lado pessoal. Não paramos para pensar como uma crítica pode nos fazer evoluir imensamente. Eu mesma tenho uma lista. Mas não, como crianças mimadas fazemos bico e batemos o pé. “Eu quero o meu 10!”

Querer todo mundo quer. Mas tem de merecer.

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Só para constar:

No programa Superstars of Dance, a Maria Kochetkova recebeu nota 9 do júri. E os atores fazem cara feia por que mesmo?