Benditos malditos, de Goyo Montero

A relação entre dança e música sempre foi muito clara para mim: os passos acompanham as notas e assim os movimentos acontecem. Mas existem outras maneiras. É possível dançar um poema? Sim, e lindamente.

Criada em 2008 pelo coreógrafo Goyo Montero, Benditos malditos é uma obra de dança contemporânea que reúne a dança, a palavra e a música. Em um único espetáculo, foram coreografados textos de vários autores. Há um pouco do Brasil nessa história: um poema/música de Vinicius de Moraes também está presente.

Quem assistiu ao vivo à final do Prix de Lausanne 2014 reconhecerá a apresentação das sequências com as declamações de “Benditos malditos”, de Joaquín Sabina, e “O dia da criação”, de Vinicius de Moraes.

Trechos de Benditos malditos, de Goyo Montero, Staatstheater Nürnberg Ballett. Prix de Lausanne, 2014.

Acho interessante prestarmos atenção em duas coisas. Primeiro, não há música na maior parte do tempo, mas o som existe. Os movimentos seguem a cadência das palavras, nada é aleatório. Depois, sem recorrer à pantomima, alguns movimentos têm estreita relação com o sentido das frases declamadas. Essa combinação cadência-sentido é incrível de assistir! Essa ovação no final, tanto para os bailarinos quanto para o coreógrafo, não foi à toa.

Infelizmente, não encontrei o espetáculo completo, pois gostaria de conhecer todo o caminho percorrido pelo coreógrafo. Mas assistindo a esses trechos é possível compreender como um texto pode dar movimento ao corpo. Quem tem na palavra um grande amor, como é o meu caso, a união de poesia e dança tem um encanto especial. Daqui em diante, enxergarei essa união com outros olhos.

Para saber mais:

Benditos malditos, site oficial de Goyo Montero, aqui.
Benditos malditos, site oficial do Prix de Lausanne, aqui.