Não precisa ser ballet para ter ballet

Eu tenho meus momentos montanha-russa com o ballet clássico. Quando os meus dois pés estão bem fincados no chão e tenho a certeza que determinadas coisas eu nunca conseguirei fazer, surge a bailarina ressentida.

Como estou em um desses momentos, comecei a prestar atenção em outras danças. Foi quando os indícios de mulher apaixonada apareceram: enxerguei o ballet em mil lugares. Então me dei conta que não era apenas paixão, ele realmente está em outros cantos.

Às vezes, ficamos tão encantadas com o ballet clássico que esquecemos que ele não se resume a repertório e sapatilhas de ponta.

Pensar nisso me conforta, pois existem mil possibilidades. Não preciso me contentar a vida toda apenas com o corpo de baile. O que acho incrível, é bom ressaltar, mas também quero um solo. E todo mundo merece seu momento.

Selecionei a cena de um filme que retrata muito bem essa ideia. De Center Stage (Sob a luz da fama), a Jody ensaiando aquela coreografia clássica das pontas vermelhas.

Sinceramente? É assim que o ballet tem mais a ver comigo. Uma hora temos de achar nosso lugar.

Jazz

Eu não consigo ser expressiva nas apresentações. Sou no teatro, na dança, não. Mas há uma única dança que conseguiu a proeza de me fazer sorrir o tempo todo no palco: jazz!

A minha experiência se resume a duas aulas em um estúdio e uma coreografia no espetáculo de outro. No primeiro caso, eu estava prestes a sair de lá. No segundo, entrei apenas para a coreografia. Dancei “The Nicest Kids in Town”, de Hairspray, com direito a ator cantando ao vivo. A coreografia era praticamente igual a esta aqui.

Pesquisando vídeos esses dias, senti uma imensa saudade. Sinceramente, acho que essa é a única dança que todo mundo já pensou em fazer um dia, mesmo de maneira inconsciente. Basta lembrar dos videoclipes, filmes e séries que assistimos e pensamos: “Eu quero dançar assim!”.

Como eu entendo superpouco do assunto, a querida Brunna me ajudou, selecionando vídeos para entendermos as principais vertentes. Além disso, separei dois textos para elucidar essa dança tão falada, mas pouco estudada teoricamente. Preparadas?

De onde vem o jazz dance?
Para ler, clique aqui.
Marcela Benvegnu, pesquisadora, crítica de dança e jornalista. Para acessar o seu blog, clique aqui.

Uma possível história da dança jazz no Brasil.
Para ler, clique aqui.
Ana Carolina da Rocha Mundim, doutora e mestre em artes pela Unicamp, graduada em dança pela mesma instituição.

Os vídeos escolhidos pela Brunna (tradicional e lírico) e por mim (musical e moderno). Clique no nome para abrir o link.
Jazz tradicional
Jazz lírico
Jazz musical
Jazz moderno

Para terminar, o jazz no filme Center Stage (Sob a luz da fama). Estou em um momento perdidamente apaixonada por este trecho.

Cena de Center Stage (2000), Higher Ground. O que são esses bailarinos? Quero um namorado que dance assim! E se alguém for montar essa coreografia, pode me chamar, vou sem pensar duas vezes.

O meu amor pelo ballet é imenso, mas é o jazz que me traz uma vontade imensa de sair dançando por aí.

Amanda Schull

Dia desses, a Tays publicou no Twitter o trailer de O último bailarino de Mao. Hoje, no Facebook, o The Ballet Bag publicou uma entrevista com Amanda Schull. Aposto que todas se lembram dela, é a Jody de Center Stage.

Pois qual não foi a minha surpresa ao descobrir que ela faz parte dos dois.

Trailer do filme Center Stage (Sob a luz da fama)

Trailer do filme Mao’s Last Dancer (O último bailarino de Mao)

Dez anos separam um filme do outro. E a gente continua olhando para ela e se reconhecendo como bailarina.

Quem quiser ler a entrevista, clique aqui.