Mirlitons

Eu sou daquelas pessoas que adora Natal, mas só entra no clima dias depois de dezembro ter começado. Como faltam duas semanas para a data, agora sim estou toda natalina.

Uma das passagens mais conhecidas de O Quebra-Nozes é a “Dança dos mirlitons”. Vocês sabem o que é? As bailarinas sempre aparecem com um na mão, mas confesso, o nome sempre me remete a mirtilo (paciência!). Pois bem, mirliton é uma espécie de flauta, mas as pessoas mais atentas já haviam percebido graças à música.

Essa é uma versão da “Dança dos mirlitons” da montagem de O Quebra-Nozes do Semperoper Ballett. O cenário e o figurino não lembram doce?

“Mirlitons Divertissement”, O Quebra-Nozes, Semperoper Ballett.

 

Coreografia gravada na memória

Há algumas coreografias de repertórios que ficam tão marcadas em nós, que não conseguimos dissociar música e passos. Ao ouvirmos a música, lembramos dos movimentos. Se virmos os movimentos sem áudio, a música já começa a tocar em nossa mente. Sendo assim, assistir a uma outra coreografia com a mesma música sempre causará estranhamento.

Geralmente, eu gosto de algumas inovações. Por exemplo, essa coregrafia para “O adágio da rosa”, de A Bela Adormecida, criada por Matthew Bourne. Mas hoje eu assisti a uma novidade que estranhei demais! Olhando friamente, gostei bastante, mas é impossível me desapegar da versão mais conhecida. É a coda do sonho de Dom Quixote. Em dado momento, já esperei os vários grand jetés da Dulcinea e da Rainha das Dríades, sem falar na ausência do Cupido.

A coreografia que a maioria conhece é esta. Essa outra é da nova montagem de Dom Quixote, do Semperoper Ballett, com coreografia de Aaron S. Watkin. Além disso, o nome mudou para “O reino de Doña Dulcinea”. É ou não é estranho de assistir?

“O reino de Doña Dulcinea” (The Kingdom of Doña Dulcinea), Dom Quixote, Semperoper Ballett.

Pas de sept

Encontrar um pas de sept é como achar um trevo de quatro folhas, uma raridade. Ainda mais com três bailarinas e quatro bailarinos. Este faz parte da montagem de O lago dos cisnes da companhia Semperoper Ballett. Para mais informações, aqui.

Assisti a poucos vídeos dessa versão, porque acabei de descobri-la, mas adorei os que vi. Quem quiser assistir também, aqui.

“Pas de sept”, O lago dos cisnes, Semperoper Ballett

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ATUALIZAÇÃO: Depois de assistir ao vídeo desse pas de sept, a Julimel, do Vídeos de Ballet Clássico, se encantou especialmente pela variação feminina. Ao pesquisar sobre isso, ela descobriu que essa variação faz parte de um pas de six do terceiro ato de O lago dos cisnes excluído nas remontagens posteriores. Assim, ela escreveu um longo post mostrando como as partes desse pas de six (entrance, variações e coda) foram rearranjadas e coreografadas de outras maneiras em várias versões. Para ler o post e assistir aos vídeos, aqui.