Adeus, Maya

Ontem faleceu a bailarina Maya Plisetskaya. Não existe história do ballet clássico sem ela. Impossível pensar em grandes repertórios sem ela. Para mim, a maior Odile de todos os tempos.

O ballet clássico mudou e não choremos por isso. Mas hoje não existe uma única bailarina que chegue próximo ao que ela foi. Sinceramente? Bailarinas grandiosas iguais a ela fazem parte do passado.

Maya, o meu amor pelo ballet é um pouco maior porque você existiu.

Na sequência, “Variação do Lenço”, “Variação do Sonho”, “Variação da Valsa ou Variação do Pizzicato”, “Variação do Grand Pas ou Variação da Claque”, Raymonda, Bolshoi Ballet, Maya Plisetskaya, 1959.

Variações (quase) desconhecidas

Outro dia eu propus o seguinte lá no nosso grupo de discussão: “Qual variação vocês amam, mas poucas bailarinas sabem que ela existe?”. Como exemplo, eu publiquei uma variação que já apareceu várias vezes no blog, a “Segunda variação do Rio Nilo“, A filha do faraó, Bolshoi Ballet.

Houve várias indicações. Entre variações praticamente desconhecidas e outras um pouco mais próximas de nós, todas são semelhantes num ponto: uma mais linda do que a outra. Achei uma tristeza deixar todas aquelas preciosidades perdidas por lá e perguntei se poderia trazer para cá.

Aqui estão elas, com o nome de quem indicou, as informações da variação e o link para o vídeo. Quem puder, assista a todas, valerá muito a pena.

Bárbara Menezes
“Variação do lenço”, Raymonda, Teatro alla Scala, Olesya Novikova.
Para assistir, aqui.

Cyndi Oliveira
“Valsa fantástica”, primeira variação, Raymonda, New National Theatre Tokyo.
Para assistir, aqui.

Erika Camargo
Outra versão da “Variação de Dulcinea”, Dom Quixote, Mariinsky Ballet, Margarita Kulik.
[O vídeo foi apagado. Para assistir a mesma variação, mas dançada pela Renata Shakirova, aqui.]

Giovanna Fernandes
“Quarta variação de Paquita”, Paquita, Kirov Ballet (Mariinsky Ballet), Larissa Lezhnina.
Para assistir, aqui.

Gisela Ferreira
“Primeira variação do pas de trois”, O lago dos cisnes, Colorado Ballet, Shelby Dyer.
[O vídeo foi apagado e não consegui encontrar um novo vídeo da mesma companhia.]

Julimel
“Variação de Esmeralda”, segundo ato, Esmeralda, The Mussorgsky Ballet, Elvira Khabibullina.
Para assistir, aqui.

Maria Eduarda Molina
“Variação de Gamzatti”, terceiro ato, La bayadère, Royal Ballet, Darcey Bussell.
Para assistir, aqui.

Marília Mascarenhas
“Variação de Nikyia”, La bayadère, Mariinsky Ballet, Polina Semionova.
[O vídeo foi apagado e não encontrei vídeo semelhante.]

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O texto foi atualizado em 25 de maio de 2021.

Raridade

Há uma qualidade raríssima entre bailarinos e bailarinas, tão difícil de explicar, mas fácil de reconhecer: quando a técnica é impecável, de tal maneira, que os passos fluem do corpo e vemos apenas o artista. Não falo da facilidade em dançar, é outra coisa. Quando a gente pensa: “Nasceu bailarina”.

Nina Ananiashvili possui essa qualidade. Vê-la dançar enche os olhos e o coração. Qualquer dia falarei especialmente dela, mas, por ora, apenas um grand pas de deux. Isto é ballet clássico, o resto é conversa.

Grand pas de deux, Raymonda, primeiro ato, Nina Ananiashvili e Aleksei Fadeyechev.

ATUALIZAÇÃO: Sempre me impressiono tanto com a Nina Ananiashvili, para eu mesma aprender como bailarina, que não falei sobre o Aleksei Fadeyechev. Ele é tão incrível quanto ela, e possui a mesmíssima qualidade. Por isso, esse vídeo é uma preciosidade.