A preferida

Confesso, depois de Black Swan, não consigo mais dissociar Odette e Odile. Agora eu realmente as vejo como duas faces de uma mesma pessoa.

Mesmo assim, são dois momentos bem distintos do repertório. E, afinal, qual é a preferida das bailarinas? Inocência a minha achar que era necessário uma enquete para descobrir a resposta.

Odile deu um baile na Odette. A votação não foi tão expressiva, foram apenas 104 votos, mas acredito que o resultado não seria diferente mesmo com um número maior.

Eu sou apaixonada pelo ballet completo e ele é o meu grande objeto de estudo. Quero dançar os dois cisnes. Porém, a minha preferida sempre será Odette. E por quê?

Se eu tivesse de selecionar um único momento da história do ballet clássico para definir a sua grandeza seria o segundo ato de O lago dos cisnes. Se existe perfeição, é aquilo. Sem falar nos vários elementos presentes: entrance, pas de deux, variações, pas de quatre, pas d’action…

É difícil encontrar o segundo ato completo para publicar, mas aqui está um dos momentos mais emocionantes: quando Siegfried encontra Odette e os demais cisnes.

O lago dos cisnes, segundo ato, American Ballet Theatre, 2005.

Tudo bem, o tutu preto é lindíssimo, mas é o tutu branco que me faz suspirar profundamente. Para mim, é a definição de uma bailarina. O dia em que eu estiver assim na coxia, esperando para entrar, terei de segurar as lágrimas. De verdade.

Foto: Rosalie O’Connor/American Ballet Theatre. Gillian Murphy, American Ballet Theatre, em O lago dos cisnes.

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E depois desse banho no lago em tantos posts, prometo dar uma trégua. Eu jamais enjoarei, mas o blog não é feito apenas para mim…