Parabéns para a bailarina

Todo ano a história se repete: eu me dou um presente no meu aniversário. Já teve variação, grand pas de deux, pas de deux, musical, repertório e todos eles podem ser vistos aqui.

Estou fazendo 36 anos e demorei para me decidir. Por um lado, Manon, Carmen, Onegin e A dama das camélias são repertórios que se encaixam perfeitamente à minha idade. Por outro,  mesmo gostando muito deles, A Bela Adormecida, Coppélia, La fille mal gardèe e Giselle soam meio infantis. Tudo bem, eu aparento ser mais nova, então abraçarei todos eles sem receio.

Dentre tantas possibilidades, escolhi a “Variação de Manon”. Ela já foi publicada três vezes (1, 2 e 3), além de Manon em A dama das camélias. É evidente, tenho um certo fascínio pela personagem.

Essa variação é linda e sei algumas sequências de cor. Dançá-la um dia nem parece tão distante assim.

“Variação de Manon”, Manon, Royal Ballet, Tamara Rojo, 2008.

Os 35 anos da bailarina

Quem acompanha o blog há bastante tempo, sabe que no meu aniversário eu me dou um presente. Às vezes, penso em deixar para lá, mas logo mudo de ideia. Assim, já me presenteei seis vezes e todas elas podem ser vistas aqui.

Neste ano, começarei contando algo importante. Vocês sabem quando a Agrippina Vaganova nasceu? No dia 26 de junho de 1879. Eu nasci no dia 26 de junho de 1979. Cem anos separam os nossos nascimentos. Engraçado, mesmo preferindo o método francês, são os ensinamentos da Vaganova que me acompanham. É ela quem me guia no ballet clássico.

Agora, vamos comemorar a data?

Eu escolhi uma coreografia possível. Além de poder dançá-la sem medo, ela reúne várias coisas que me encantam: arabesque a 90 graus, developpé mais baixo, um lindo tutu de manguinha, corpo de baile encantador, música que desmancha o meu coração. É o adágio do grand pas de deux de Paquita.

Sim, eu contei que prefiro o corpo de baile desse repertório, mas esse adágio mexe comigo de uma maneira difícil de explicar. Eu me encontro nele. É como se eu me visse bailarina.

Quem quiser comemorar comigo, sinta-se à vontade para ser do corpo de baile. Façamos de conta que dançaremos juntas. No dia do aniversário, podemos ser o que quisermos ser.

Adágio do grand pas de deux, Paquita, Ópera de Paris, Alice Renavand e Florian Magnenet, 2013.

Um feliz aniversário para a bailarina

Quando eu era menina, amava dançar pela casa, na rua, na sala de espera do consultório médico. Não queria me exibir, não me importava com os outros a minha volta. Eu só queria uma coisa: dançar.

Além disso, eu me achava a menina mais linda do mundo. Não me comparava com as outras, eram todas lindas também. Mas eu me achava especialmente bonita, porque eu era eu. Estava feliz em ser assim.

O tempo passa, crescemos, nos tornamos adultas. As cem amarras nos prendem aos mil medos. Dançar quando der vontade, nunca mais. Achar-se linda, nem em pensamento. A alegria e o amor por si mesma vão embora sem hora para voltar.

Pensei nisso ao olhar para trás para escolher um presente para mim. Hoje é o meu aniversário e quem acompanha o blog sabe: todo ano, me dou uma coreografia de presente. Assim foi em 2009, 2010, 2011 e 2012.

Neste ano, será diferente. Não escolhi uma variação, um grand pas de deux ou um repertório. Eu trouxe de volta aquela menina do passado. Dançarei do jeito que eu quiser, me sentindo a mais linda do condado. Esse é o meu presente.

Natalie Wood, em I Feel Pretty, de “West Side Story”, 1961.

O presente não é apenas para mim. Dancem e sintam-se lindas! É o mínimo que vocês merecem.

Agora, com licença, tenho muito o que dançar no dia de hoje.