Encontro no segundo ato

Estou em uma fase Dom Quixote da vida e acabei de assistir a um pas de deux que quase ninguém comenta: Kitri e Basílio no segundo ato. Algumas montagens dão a essa passagem um ar mais sensual, mas a versão do Royal Ballet ficou delicada e romântica.

Sem falar que Carlos Acosta e Marianela Nuñez dançando juntos é sempre lindo de ver!

“Pas de deux segundo ato”, Dom Quixote, Royal Ballet, Carlos Acosta e Marianela Nuñez.

Ensaio de Monotones II (e mais bailarinos neste lugar)

Um dos leitores do blog, o Marlon, disse que gostaria de ver mais posts de variações masculinas e informações voltadas aos bailarinos. Não foi em tom de crítica, além de ele ter toda razão. Eu quase não falo de homens no ballet, já perceberam? E, mesmo assim, há leitores assíduos que não apenas estão sempre por aqui, mas comentam e compartilham suas experiências. Eles merecem mais consideração da minha parte.

Por isso, os bailarinos aparecerão mais no blog. Às vezes, farei posts só para eles; outras vezes, eles aparecerão ao lado das bailarinas. Afinal, também é bacana dançarmos todos juntos.

E será assim que vamos começar: um pas de trois com dois bailarinos e uma bailarina.

Trecho do ensaio de “Monotones II”, Royal Ballet. Edward Watson, Marianela Nuñez e Federico Bonelli.

Quem quiser conhecer Monotones I e II, aqui.

As preferidas de vocês

Não é segredo para ninguém que o meu amor é do ballet francês, que a minha preferida é a Aurélie Dupont e que a Ópera de Paris mora no meu coração. Mas acontece que o mundo não gira em torno do meu umbigo. Por isso, gosto de ouvir e conhecer outras opiniões. Foi assim que surgiu lá no Facebook a pergunta: “Qual é a bailarina preferida de vocês?”. A intenção era apenas ter uma ideia, mas tantas pessoas responderam que resolvi transformar o resultado em um post.

Foram 76 comentários válidos. Excluí aqueles com mais de um voto (pois eu pedi só um nome), os aleatórios (quando comentavam os votos) e os não comprometidos realmente com a pergunta (quando começou a virar indicação das amigas). Ah, e eu não votei. Enfim, vamos aos resultados?

1. Svetlana Zakharova, primeira-bailarina do Bolshoi Ballet (13%)

Ela pode não ser uma unanimidade, mas tem um público cativo e apaixonado. Sinceramente, acho que a Svetlana Zakharova representa a perfeição no ballet: longilínea, tecnicamente impecável, com presença de palco, linda e russa. Ou seja, “a” bailarina. Gostem ou não, essa imagem faz parte do nosso imaginário. Eu não sou parte do seu fã-clube, mas não tenho crítica alguma, só prefiro outro tipo de bailarina. Mas se um dia ela vier dançar no Brasil, é claro que vou assisti-la!

Eu gosto de vê-la dançar a Variação de Aspicia, de “A filha do faraó”.

2. Marianela Nuñez, primeira-bailarina do Royal Ballet (10,5%)

Confesso, conforme os votos foram surgindo, comecei a torcer para a Marianela Nuñez chegar ao primeiro lugar, mas foi quase… Acho que ela tem dois grandes méritos: primeiro, ela dança qualquer papel. Giselle ou Myrtha, Nikiya ou Gamzatti, Aurora ou Fada Lilás, não importa, a Marianela dá à personagem o tom necessário. Segundo, ela consegue transformar coadjuvantes em protagonistas. Myrtha e Fada Lilás roubam a cena quando são feitas por ela. E além disso tudo, ela é encantadora. Aliás, ela é a segunda bailarina mais publicada neste blog. Ou seja, Marianela Nuñez é uma das minhas preferidas e eu nunca notei? Era amor escondido? Deixou de ser.

Como imaginar outra Lise, em “La fille mal gardèe”, alguém me diz?

3. Aurélie Dupont, étoile da Ópera de Paris (9%)

Preciso comentar alguma coisa? A Aurélie Dupont é a minha bailarina preferida, a minha inspiração, o meu ideal no ballet clássico. E mesmo quando ela se aposentar, não haverá quem tome o seu lugar. O meu coração é dela e ponto. E eu fiquei muito, mas muito feliz em descobrir que há outras pessoas que gostam dela tanto quanto eu. Abraço coletivo, bailarinas!

Eu gosto de tudo, mas a sua Nikiya, de “La Bayadère”, deixa os os meus olhos marejados.

4. Polina Semionova, primeira-bailarina do American Ballet Theatre (8%)

Eu sei quem ela é, sei por quais companhias ela passou, sei da sua importância, mas não fazia ideia da sua popularidade. Como as pessoas amam a Polina Semionova! Confesso, não posso comentar sobre ela a contento porque mal a conheço. Do pouco que vi, ela é impecável, os passos simplesmente fluem…

Quando não sabemos o que escolher, vamos à variação que melhor representa uma bailarina: Variação de Odette, “O lago dos cisnes”.

5. Natalia Osipova, primeira-bailarina do Mikhailovsky Ballet (7%)

A meu ver, a Natalia Osipova vai na contramão do estereótipo da bailarina delicada. Ela é uma explosão no palco. Ninguém salta igual a ela e ninguém sorri tão largamente quanto ela. Entendo a sua popularidade, dá vontade de sairmos dançando no mesmo instante.

A Esmeralda não parece ter sido feita para a Natalia Osipova?

Essas foram as cinco mais votadas. Logo depois, vieram Ana Botafogo (5,5%) e Ulyana Lopatkina (4%). Alina Cojocaru, Evgenia Obraztsova, Alessandra Ferri e Gillian Murphy empataram com 2,5% cada uma.

Outras bailarinas citadas foram Adeline Pastor, Alina Somova, Anna Pavlova, Cynthia Harvey, Darcey Bussell, Daria Klimentova, Larissa Lezhnina, Marcella Paiva, Maria Alexandrova, Maya Plisetskaya, Michaela de Prince, Natalia Pavlova, Nina Ananiashvili, Noëlle Pontois, Roberta Martins, Sara Michele e Yuhui Choe. Juntas, elas representam 22,5% do total.

Também houve as indicações pessoais, quando citamos uma bailarina próxima, amiga, enfim. Essas chegaram a 5,5%. As professoras também foram citadas (2,5%), o que achei bem bacana. Ah, e posso comentar? Eu também tive 2,5% dos votos. Pensei em colocar nas indicações pessoais, mas seria desmecerer quem me escolheu. Nem sei o que comentar. Só digo isso: “Se cuida, Zakharova!”

A minha surpresa foram as ausências de Paloma Herrera, Sylvie Guillem e Diana Vishneva. A Tamara Rojo só foi citada depois que fechei a votação. Cadê o fã-clube delas?

Essas informações não passam de uma brincadeira, não há base estatística alguma nisso. Mas achei bacana por vários motivos: descobrimos as nossas preferências, conhecemos outras bailarinas e, mais importante, conseguimos ver como o mundo do ballet clássico é vasto. Há artistas absolutamente diferentes umas das outras. E mesmo assim, são todas igualmente incríveis.