Tzigane

Tzigane é um dos ballets de George Balanchine. Curtinha, de apenas nove minutos, é uma coreografia inspirada no estilo da dança cigana.

Este vídeo é duplamente importante: além da obra completa, mostra Suzanne Farrell, uma das grandes bailarinas de Balanchine, e Peter Martins, hoje diretor do New York City Ballet. Foram eles que dançaram Tzigane pela primeira vez.

Mais informações:
Tzigane, The George Balanchine Trust, aqui.

Tzigane, New York City Ballet, 1977.

Fonte do vídeo: Dances avec la plume.

Os métodos

Quando comentei no post passado que meu coração é do método francês e que o método russo não é para mim, duas leitoras sugeriram que eu falasse sobre os métodos. Mas a grande questão é: não conheço suficientemente nenhum deles para falar com propriedade. Não só, mas explicá-los requer um grande conhecimento técnico e teórico. Levando-se em consideração que há sete métodos diferentes, quem sabe daqui mil anos eu possa pensar a respeito.

Por isso, resolvi apenas listar quais são eles. Não só, basta clicar nos nomes para assistir a um pequeno trecho de cada método. A lista está em ordem cronológica, mais ou menos de acordo com o período em que surgiram.

Um olhar atento consegue perceber as diferenças, mesmo que não saiba dizer claramente quais são elas. A base do ballet clássico é a mesma em todos os métodos, o que muda são as formas de os passos serem ensinados e a ênfase dada a determinados aspectos. Por isso notamos que não é igual, mesmo sendo ballet em todos os casos.

Fiz aulas dos métodos inglês e russo. Eu gostava do primeiro e sentia dificuldade no segundo. Hoje, a minha base de estudo é somente o método Vaganova, porque o livro dela é meu companheiro inseparável. Leio, releio e recorro a ele nos momentos de dúvida. Além disso, sigo as suas indicações. Por isso, reconheço que ele não é o ideal para o meu tipo físico, pois foi desenvolvido para uma combinação de corpo longilíneo, magreza, hiperflexibilidade e força física. Não é à toa que vemos os bailarinos russos como símbolos de perfeição.

Isso significa que as pessoas de outros tipos físicos não podem estudar pelo método russo? Claro que podem. A questão é o caminho percorrido para aprender e o nível técnico a ser atingido. Por isso, quando você achar que talvez tenha dois pés esquerdos e não nasceu para o ballet, talvez seja apenas uma questão de método.

Sobre o meu interesse pelo estudo do método francês, ele surgiu por vários motivos. Foi o primeiro a ser desenvolvido; seu foco não é o virtuosismo, mas a leveza e precisão dos movimentos; não existia na época um padrão corporal exigido, mas a pluralidade de tipos físicos. Ou vocês acham que, no começo do ballet clássico, todos eram praticamente atletas? Antes que vocês briguem comigo, ou soltem impropérios nos comentários, pesquisem sobre o assunto que vocês encontrarão informações a respeito, lá do comecinho do ballet clássico.

Na verdade, gosto tanto de técnica clássica, que adoraria fazer uma boa aula de cada método. Não há leitura, vídeo ou explicação que substitua os movimentos em nosso próprio corpo. Só assim é possível aprender cada um deles de verdade.

E quem conseguiu perceber a grande mudança ao longo dos anos? Da leveza do movimento ao vigor físico. Vocês conseguem imaginar as primeiras bailarinas da França fazendo aula no Ballet Nacional de Cuba? Eu, não.

Theme and Variations

De George Balanchine, Theme and Variations estreou em 1947. Quem quiser saber mais, aqui.

Neste vídeo, o ballet está completo. Apresentado pelo American Ballet Theatre, em 1978, com Gelsey Kirkland e Mikhail Baryshnikov como solistas. Prestem atenção o quanto é difícil dançá-lo! Isso é uma das coisas que mais gosto das obras de Balanchine, ele utiliza a técnica clássica sem cair na acrobacia. Não é necessário o virtuosismo dos bailarinos para mostrar o quanto eles são bons. Quanto mais eu estudo sobre ele, mais eu me apaixono.

Querem ver ao vivo? Agora em maio, a São Paulo Companhia de Dança apresenterá Theme and Variations, Bachiana n° 1 e Prèlude à l’après-midi d’un faune no Teatro Municipal de São Paulo. Para conferir a programação, aqui.