Etiqueta em sala de aula

Vou contar algo que talvez deponha contra mim, mas quando eu era criança, eu adorava ler livros sobre etiqueta. Minha mãe era assinante de uma revista feminina e sempre havia alguma coleção sobre um assunto específico. Foram vários livrinhos sobre etiqueta e eu li todos. Para mim, era o máximo, porque aquilo significava uma coisa: ter educação.

Etiqueta nada mais é do que um conjunto de normas de conduta. É uma maneira de vivermos bem, e educadamente, em sociedade. No mundo do “sou mais eu”, isso está bem fora de moda.

Por isso, pensem na minha alegria quando encontrei, no site da Gaynor, uma lista de “condutas não permitidas” nas aulas de ballet clássico. Não só, quem faz compras pelo site pode pedir um pôster com algumas regras de etiqueta e esta ilustração.

Ilustração: Andrea Selby. Fonte: Gaynor Minden.

Esta é a lista de violações de etiqueta nas aulas de ballet. Ela foi retirada do site da Gaynor Minden e todos esses erros aparecem na ilustração (para vê-la em tamanho maior, basta clicar na imagem).

  • Conversar, sussurrar ou rir.
  • Usar roupas rasgadas, sujas ou em mau estado.
  • Usar roupas, inclusive polainas, que fiquem caindo.
  • Usar joias e bijuterias grandes.
  • Beber (exceto água).
  • Ligar um ventilador ou abrir uma janela sem permissão.
  • Tirar fotografias sem permissão.
  • Ficar assistindo [à aula] da porta da sala.
  • Sentar ou se pendurar nas barras fixas.
  • Pendurar roupas ou bolsas nas barras fixas.
  • Falar ao telefone.
  • Mandar mensagens de texto.
  • Comer.
  • Colocar a mão ou se apoiar no piano.
  • Mascar chicletes.
  • Demonstrações de afeto [leia-se, beijos e chamegos entre namorados].
  • Pés descalços (na aula de ballet).
  • Usar sapatos e roupas “da rua” em aulas de ballet.
  • Coreografar os seus próprios passos.
  • Entrar na aula com atraso.
  • Sair da aula mais cedo.
  • Se posicionar na frente da primeira pessoa na barra.
  • Usar botas de aquecimento nos exercícios de centro [isto aqui].
  • Ficar de mão dada ou entrelaçar os cotovelos com um colega de classe.
  • Ouvir o seu iPod ou MP3 player.
  • Figurinos [claro que isso não se refere aos ensaios].
  • Animais de estimação.
  • Usar collants sensuais.
  • Mau odor corporal ou perfume forte.
  • Cabelos longos soltos ou longos rabos de cavalo.
  • Sem camisa [claro que ela está falando dos rapazes].
  • Bolsas muito grandes.
  • Não ajudar a mudar as barras de lugar.
  • Cochilar.
  • Usar chapéus.

A lista em inglês, aqui.
O pôster, aqui.
Para ler o capítulo do livro “The Ballet Companion”, de Eliza Gaynor Minden, que fala sobre o assunto, aqui.

Sinceramente, eu concordo com todos esses itens (apesar de alguns nem sempre se aplicarem a nós, como essas botas de aquecimento). Não vou dizer que nunca cometi algumas dessas gafes, tampouco acho que devemos levar tudo a ferro e fogo, mas evitar essas condutas facilita a vida de todo mundo na sala de aula. E é bom ressaltar: não vale apenas para alunos, mas também para professores.

E há alguma coisa que vocês acham que deveria estar nessa lista e não está? Eu tenho: gritar e levantar a voz. Acho isso o cúmulo da falta de respeito e educação.

A ansiedade pelo uso da ponta

Eu confesso, quando comecei a fazer ballet, além de não saber nada de técnica, também mal conhecia o restante. O meu interesse foi aumentando na medida que as minhas aulas foram avançando.

Sendo assim, nunca fui uma ansiosa pelo uso da ponta. Pelo contrário, para mim isso sempre pareceu algo distante e uma coisa que chegaria no seu tempo certo.

A questão é: a minha ansiedade chegou. Assisto a tantos ballets, leio tanto sobre o assunto, faço as aulas, fico fazendo passos pela casa, e lá estou eu com minha sapatilha de meia-ponta. Como já contei, faço o curso regular e estou no 2º ano. Usar ponta só no meio do 3º ano, ou seja, somando com as minhas aulas na outra escola, usarei ponta quando eu completar três anos de ballet clássico. É muito tempo para quem tem quase 30 anos.

Entendo, cada coisa no seu momento. Mas esperar mais um ano? Isso está começando a me angustiar, de verdade.

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