A questão do peso

Outro dia, indo para a aula de ballet, lá estava eu na lotação sentada ao lado da janela. Enquanto pensava na vida, ouvi duas meninas conversando lá no fundo. De repente, ouço isso: “Ah, mas fulana faz ballet? Imagina, para ser bailarina é preciso ser muito magra!” E seguiu-se uma série de análises sobre o fato da menina em pauta fazer ou não ballet.

A discussão aqui não é sobre bailarinas profissionais. Para começar, eu tenho 1,48m de altura. No máximo, seria uma cisne recém-nascida em O lago dos cisnes. Eu estou brincado para dizer o seguinte: cada coisa no seu lugar.


Cena do filme Fantasia, da Disney. Aqui é uma sátira ao ballet clássico.

Devemos nos preocupar com o peso por uma questão de saúde. Acho um absurdo essa neura de sermos magras demais, coisa que percorre todos os meios possíveis. Viver de regime é vida? Não é.

Mesmo quem nunca se preocupou com isso, começa a se questionar depois que começa a fazer ballet. A questão “Você engordou” ou “Você emagreceu” é proferida sempre. Eu já ouvi tantas vezes que perdi a conta.


Cena do filme Fantasia, da Disney. Aqui é uma sátira ao ballet clássico.

Parece que não, mas há uma linha tênue aí. A frase “Estou gorda” vira imperativo. Gente, sinto muito, não sou a primeira bailarina do Bolshoi. Estou feliz com a variação do meu peso entre 47kg e 48kg. Eu estava mais cheinha, nos últimos oito meses eu emagreci 7kg graças ao ballet. Consequência da dedicação, não deixei de comer nada. Não me puni pelo corpo que eu tenho.

Sejamos bailarinas felizes da maneira que somos. Cada qual com o corpo que tem. Também não deixe que ninguém, tampouco a professora, questione isso. A vida já tem problemas demais para eu me preocupar com o que meu collant quer mostrar ou esconder.