Flexibilidade

Se fizessem um ranking dos assuntos mais populares no ballet, provavelmente o item “flexibilidade” estaria entre os primeiros. A maioria das bailarinas quer saber como melhorar a sua.

Acompanho o blog da Escola do Teatro Bolshoi e hoje publicaram um post tão, mas tão bom sobre o assunto que tive de compartilhar.

Em Melhore a sua flexibilidade, há instruções e dicas de exercícios, com fotos. Todo mundo para lá, agora!

Para ler o post, aqui.

Vamos esclarecer uma coisa

Imagino o quanto é complicado para quem ainda sonha em ser bailarina profissional, ler o post publicado semana passada. Eu também ficava brava com isso, mesmo querendo outra coisa. Já cheguei a criticar uma professora de um curso teórico porque ela havia falado sobre a questão da excelência física. Ela tem de ballet clássico mais do que eu tenho de vida, mas não tive humildade para aceitar que ela tem toda razão.

Sendo assim, vou deixar claro uma coisa. Quando eu disse bailarina profissional, me referi a grandes companhias de ballet clássico. Traduzindo: não, você não conseguirá ser primeira-bailarina do Royal Ballet, Bolshoi Ballet, Ópera de Paris, Kirov Ballet, American Ballet Theatre se começou a dançar aos 25 anos. Você não será primeira-bailarina de nenhuma dessas companhias se não tem o perfil físico exigido para tal. Também não participará das audições dos cursos regulares profissionalizantes da Escola Estadual de Danças Maria Olenewa, Escola Municipal de Bailado de São Paulo, Escola do Teatro Bolshoi no Brasil se você não é mais uma menina.

Em momento algum eu disse que você não pode:

  • Abrir sua própria companhia.
  • Estudar e se dedicar para ser professora de ballet clássico.
  • Conseguir o seu DRT no Sindicato de Dança da sua cidade.
  • Se formar em um curso regular de ballet clássico.
  • Se profissionalizar em outras danças e participar de suas respectivas companhias.
  • Fazer as suas aulas e se apresentar lindamente no palco.

Ultimamente, as visitas ao blog giram em torno de 14 mil acessos mensais. Ou seja, eu preciso ter responsabilidade. Não dá para simplesmente dizer a cada bailarina que chega aqui: “Vamos lá, você conseguirá o que quer com toda a certeza”.

Não funciona assim. A vida não é assim.

O que vocês conseguirão no ballet clássico é responsabilidade de cada uma. Se há histórias que vão além do senso comum, é excelente que existam. Porém, quando tantas bailarinas chegam aqui querendo saber sobre profissionalização, tenho de contar como algumas coisas funcionam. Eu não fico elucubrando sobre o ballet, eu estudo para publicar aqui. Compro livros, faço cursos, pesquiso, converso com outras bailarinas, converso com professoras. Mudo de ideia sempre, porque o conhecimento nos traz isso. E, principalmente, a humildade para aceitar que sabemos muito, muito pouco. Quem acha que está sempre certo, jamais muda de ideia, mesmo que todos lhe digam que a realidade é diferente.

Há quem passe a vida sonhando, há quem transforme a própria realidade. Eu admiro as pessoas do segundo grupo. Sinto muito, mas a torcida empolgada, sem fundamento, vocês nunca encontrarão aqui.