Devolve 2 horas da minha vida

Criado em 2008, o Projeto Mov_oLA integra dança contemporânea a outras linguagens, e eu escrevi sobre ele há três anos, aqui.

O espetáculo em cartaz, Devolve 2 horas da minha vida, é uma releitura do filme Janela Indiscreta, de Alfred Hitchcock. Dividido em três atos, há pausas para o público tirar selfis e interferir nas cenas utilizando um aplicativo criado especialmente para esse fim (mov_olapp, disponível para baixar aqui).

“A proposta do aplicativo é que durante o espetáculo o público interaja, virtualmente, com o que acontece no palco. A pesquisa para seu desenvolvimento foi feita em conjunto com a pesquisa da coreografia para que pudessem ampliar as possibilidades criativas na fusão de um aplicativo digital com uma criação artística”, afirma Alex Soares, idealizador do projeto.

É uma grande ideia reunir linguagens aparentemente tão diferentes em uma única obra, além de aproveitar algo tão presente na vida das pessoas hoje em dia. Sabe aquela recomendação de desligar o celular antes do espetáculo? Agora, ele faz parte da apresentação.

Contemplado pela 18ª edição do Programa Municipal de Fomento à Dança, a estreia aconteceu ontem, 30 de setembro, e as apresentações acontecem até dia 6 de novembro no Centro Cultural São Paulo. A entrada é gratuita.

SERVIÇO

Devolve 2 horas da minha vida
Centro Cultural São Paulo
Rua Vergueiro, 1.000 (estação Vergueiro de metrô)
De 30 de setembro a 6 de novembro
Sexta e sábado, 21h | domingo, 20h
70 min. | Entrada gratuita | Classificação indicativa: 10 anos
Retirada de ingressos a partir das 14h do dia do evento

Devolve 2 horas da minha vida, Projeto Mov_oLA. Foto: Clarissa Lambert.

Um outro “adágio da rosa”

Quem assistiu ao filme Billy Elliot provavelmente se lembra da bela cena final. Aquela coreografia não foi uma criação para o filme, ela faz parte da versão de Matthew Bourne para O lago dos cisnes.

Coreógrafo de dança contemporânea e teatro-dança, ele também recriou A Bela Adormecida e a inspiração para Aurora foi ninguém menos que Isadora Duncan. Há várias diferenças em relação à original – as seis fadas são três bailarinas e três bailarinos, a Carabosse tem um filho, o príncipe é plebeu –, mas se não compararmos as versões clássica e contemporânea, há grandes chances de nos encantarmos.

Disse isso para chegar a “O adágio da rosa”. Pesquisando sobre a coreografia clássica, me deparei com o duo da montagem de Matthew Bourne. Assistam com outros olhos: é muito diferente, mas é lindo!

“O adágio da rosa”, A Bela Adormecida, de Matthew Bourne, Hannah Vassallo e Dominic North.