Os meus filmes preferidos de dança

Já escrevi sobre alguns filmes, mas nunca reuni os meus preferidos em um único lugar. Resolvi fazer isso porque é uma maneira de vocês comentarem os preferidos de vocês e termos indicações de vários filmes bacanas em um só post.

A minha lista é parcial e os critérios de preferência, totalmente subjetivos. Não é uma lista de “melhores”; se assim, fosse, dois filmes não constariam aqui. As escolhas tem como base a minha visão da dança sob diversos aspectos.

Há filmes “clássicos” no meio da dança que não entraram na lista. Por exemplo, sou apaixonada por “Dirty Dancing”, mas eu o vejo como uma história de amor em que a dança é coadjuvante. Choro sempre que assisto a “Billy Elliot”, é um filme belíssimo, mas não me identifico com a história. Ou seja, só constam aqueles filmes que me tocaram profundamente.

Aqui estão eles. Para assistir ao trailer, basta clicar nos títulos dos filmes.

Strictly Ballroom (Vem dançar comigo), Baz Luhrmann, 1992.
Uma competição de dança de salão, uma iniciante com pouco tempo para aprender a dançar e um dos finais mais emocionantes entre todos os filmes de dança. Eu o assisti no começo da minha adolescência e esse vestido vermelho da protagonista fez parte do meu imaginário por anos e anos. Para mim, esse filme mostra o poder agregador da dança. O diretor é o mesmo de “Moulin Rouge”, um dos meus musicais preferidos.

Center Stage (Sob a luz da fama), Nicholas Hytner, 2000.
Estudantes de ballet clássico em uma grande escola de formação. Coisa rara é encontrar alguém que faça ballet e não tenha assistido ao filme. Eu já assisti várias vezes e é impossível a gente não se identificar em vários momentos. Nem preciso dizer que o meu amor é pela Jody Sawyer, aquela que ouve o tempo todo que não deveria dançar. O final nos ensina muita coisa, talvez por isso eu goste tanto.
O post sobre o filme, aqui.

Pina (Pina), Wim Wenders, 2011.
Documentário sobre Pina Bausch. Na verdade, uma grande homenagem a ela. Um filme incrível, que mexe com todos aqueles apaixonados por dança. Se eu tivesse de escolher um único nome, uma única referência na minha vida na dança, sem dúvida, seria Pina Bausch. Sinto como se ela me dissesse que a dança faz parte de todos nós. Nela eu me encontro e esse filme me mostrou isso claramente. Mesmo quem não é afeito à dança contemporânea, assista. E assista de novo. E chore silenciosamente quando terminar.
O post sobre o filme, aqui.

Black Swan (Cisne negro), Darren Aronofsky, 2010.
Bailarina é escolhida para os papéis principais de “O lago dos cisnes” e começa a acreditar que está sendo perseguida por sua “rival”. Eu tenho uma profunda ligação com esse filme e sou sua defensora voraz. Ele fala muito mais sobre as entranhas do ballet clássico e da nossa obsessão pela perfeição do que qualquer outro filme. Sem falar no calvário da protagonista, que além de lidar com seus próprios medos e inseguranças, tem de ouvir o tempo todo que não é capaz para o papel que lhe deram. Nada muito diferente do que acontece com quem faz ballet… Enfim, eu o acho incrível de mil maneiras e poderia passar horas falando sobre “Black Swan”. Cada vez que o assisto, novos detalhes saltam aos olhos. É um primor! Nina Sayers, estamos juntas!
O post sobre o filme, aqui.

Whatever Lola Wants (O que Lola quiser), Nabil Ayouch, 2007.
Lola quer dançar profissionalmente, mas não consegue. Enquanto ela não “acontece”, trabalha nos correios de Nova York. Até o dia em que ela viaja ao Egito e conhece Ismahan, uma grande bailarina de dança do ventre. Do ponto de vista cinematográfico, o filme não tem nada demais. A sua grandeza reside em outros pontos: a determinação de Lola, as aulas de Ismahan, a disposição da novata em aprender, a generosidade da grande bailarina em ensinar, mostrar que existe a técnica, mas sem alma ela não quer dizer nada, deixar claro que cada bailarina é o espelho de sua dança… Sinceramente, os ensinamentos de Ismahan deveriam ser levados sempre conosco: “Lola, eu não posso te ensinar a ser você mesma. Use o seu corpo. Seja o seu próprio instrumento.”
O post sobre o filme, aqui.

E os filmes preferidos de vocês, quais são?

Quando Center Stage e os rubis de Balanchine se encontraram

O que acontece quando uma bailarina tem insônia? No meu caso, assiste a vídeos de dança e faz associações aparentemente descabidas. Afinal, qual a relação entre Center Stage e os rubis de Jewels, de Balanchine?

Além do figurino vermelho (mais parecido com o da Ópera de Paris), bailarinos em torno de uma bailarina…

Center Stage, de Nicholas Hytner.

Jewels, “Rubis”, de George Balanchine. New York City Ballet. Foto: Paul Kolnik.

E de alguns outros detalhes das coreografias percebidos por olhos atentos. Por que não explico quais são? Ora, quem sou eu para estragar a graça de vocês.

Quem quiser fazer as mesmas comparações, assista aos vídeos: [1] e [2].

Não é crítica, hein?! Mas é bacana perceber essas influências. Para todo mundo se divertir no fim de semana.

Não precisa ser ballet para ter ballet

Eu tenho meus momentos montanha-russa com o ballet clássico. Quando os meus dois pés estão bem fincados no chão e tenho a certeza que determinadas coisas eu nunca conseguirei fazer, surge a bailarina ressentida.

Como estou em um desses momentos, comecei a prestar atenção em outras danças. Foi quando os indícios de mulher apaixonada apareceram: enxerguei o ballet em mil lugares. Então me dei conta que não era apenas paixão, ele realmente está em outros cantos.

Às vezes, ficamos tão encantadas com o ballet clássico que esquecemos que ele não se resume a repertório e sapatilhas de ponta.

Pensar nisso me conforta, pois existem mil possibilidades. Não preciso me contentar a vida toda apenas com o corpo de baile. O que acho incrível, é bom ressaltar, mas também quero um solo. E todo mundo merece seu momento.

Selecionei a cena de um filme que retrata muito bem essa ideia. De Center Stage (Sob a luz da fama), a Jody ensaiando aquela coreografia clássica das pontas vermelhas.

Sinceramente? É assim que o ballet tem mais a ver comigo. Uma hora temos de achar nosso lugar.