“Carmen”, Compañía Antonio Gades

Depois de uma intensa campanha política, eleições acirradas e uma semana de alívio, vamos voltar aos posts? Vamos.

O livro Carmen (1845), de Prosper Mérimée, já virou ópera, filme, peça de teatro e espetáculo de dança de várias modalidades. Há mais de dez anos, eu falei brevemente sobre as montagens de dança, especialmente de ballet, aqui.

Hoje, é o flamenco. Essa sequência do espetáculo Carmen (1983), da Compañía Antonio Gades, foi desenvolvida quase paralelamente ao filme Carmen (1983), de Carlos Saura.

Não há música, apenas o som das palmas e do sapateado flamenco. Acho belíssimo, soa como música para mim.

Sequência de Carmen (1983), Compañía Antonio Gades, montagem de 2011.

Variação de Carmen

Para quem acompanha o blog, a Mathilde Froustey não é um nome estranho. Já foram três posts com ela: Pas de cinq, Variação de Manon e Tristão e Isolda. Agora, é a vez de “Carmen” no concurso da Ópera de Paris.

Variação de Carmen, “Carmen”, Roland Petit. Mathilde Froustey, concurso da Ópera de Paris, 2010.

Todo ano, a Ópera de Paris realiza um concurso para os bailarinos da companhia mudarem de nível e subirem na hierarquia da empresa. Não passou, nada feito. O único posto conseguido apenas por nomeação é o mais alto, de étoile, mas para chegar lá… Para entender essa hierarquia, aqui.

Mesmo sendo uma bailarina incrível, a Mathilde Froustey não passa no concurso há anos e não consegue ser première danseuse, ela continua sendo sujet. Agora, ela ficará um ano no San Francisco Ballet como primeira-bailarina! É aquela história: não adianta dar murro em ponta de faca. Às vezes, o nosso pote de ouro está em outro lugar.

Flamenco

Acharam que eu tinha esquecido de falar sobre outras danças? Esqueci não.

Eu sempre quis fazer flamenco, mas ainda não consegui. O engraçado é que ele sempre esteve por perto.

Comecei no ballet com uma professora que, além de dar aulas de flamenco, o tem como sua especialidade. O terceiro estúdio onde tive aulas é especialmente de flamenco, pois foi criado pela maior bailaora (como são chamadas as bailarinas de flamenco) do Brasil. Tenho DVDs de três filmes de Carlos Saura – Ibéria, Carmen e Bodas de sangue – sobre o assunto. Porém, até hoje, não fiz sequer uma aula experimental.

Seria uma imensa pretensão da minha parte querer resumir o flamenco em um post. Basicamente, é um estilo de música e dança, oriundo de diversas regiões da Espanha. Suas origens vêm do século 15, ou seja, seiscentos anos de história.

O que mais me encanta é a sua força. Não no sentido literal da palavra, mas especialmente porque ela não é associada à feminilidade. No flamenco, as duas se encontram.

Outro ponto de admiração, já falado aqui, é a valorização das experientes. Quem manda é a mulher mais velha, ela é a grande estrela. Isso não é papo furado. Quem conhece o “meio” do flamenco sabe que realmente funciona dessa forma. Consequentemente, começar mais tarde e se tornar profissional é uma alternativa possível.

Chega de delongas, aqui estão dois vídeos que adoro. O primeiro, da grande Eva Yerbabuena, para desmistificar um pouco a supremacia da cor vermelha. O segundo, uma cena do filme “Carmen”, de Carlos Saura.

Eva Yerbabuena, no documentário Pulse: a Stomp Odyssey (2002), de Luke Cresswell e Steve McNicholas.

Cena do filme Carmen (1983), de Carlos Saura.

Para mais informações:
Flamenco Brasil, aqui.

Para se vestir lindamente feito bailaora:
Lunares Flamenco, loja virtual, aqui.