Os meus pas de deux preferidos

Não faz muito tempo, fiz um post com os vídeos das minhas variações preferidas. Agora, os meus pas de deux preferidos. Eles também já apareceram por aqui vez ou outra, mas agora estão reunidos em um único post.

Pas de deux cisne negro, O lago dos cisnes, Vladimir Bourmeister.

Essa é a música da primeira versão do pas de deux do cisne negro feita pelo Tchaikovsky, que foi modificada mais tarde. Em 1956, Bourmeister resgatou a versão original e criou essa belíssima coreografia, que consegue demonstrar perfeitamente como Odile seduz Siegfried. É o meu pas de deux preferido. Não canso de assistir e sonho, realmente, em dançá-lo um dia.

Pas de deux final, Branca de Neve, Ricardo Cué.

Sabe aquela coreografia que é impossível assistir sem sorrir? É como eu vejo esse pas de deux da Branca de Neve. Ele é encantador.

Pas de deux negro, A dama das camélias, John Neumeier.

Para mim, esse pas de deux fala por si só, não é preciso assistir ao ballet completo para entender claramente a relação entre Marguerite e Armand. Ele sempre me emociona.

E quais são os pas de deux preferidos de vocês?

Branca de Neve

Eu descobri esse ballet graças à Vanessa, querida leitora, que escolheu o pas de deux final para “dançar” no gala imaginário feito para o aniversário do blog. Fiquei fascinada. É o único pas de deux que eu realmente gostaria de dançar.

O amor só aumentou depois que assisti ao ballet completo. Novamente, é o único que gostaria de dançar inteiro. Isso mesmo, amo todas as passagens da Branca de Neve. Não só, acho que o espetáculo inteiro consegue contar a história de uma maneira simples e delicada. Qualquer pessoa entende o que está acontecendo, mesmo sem conhecer a história. Tudo se encaixa. É exatamente o estilo de coreografia que mais me encanta como bailarina.

Posso dançar já?

O pas de deux e eu

Essa noite eu sonhei que ensaiava um lindo pas de deux com uma versão brasileira do Daniil Simkin. Acordei satisfeita em me ver dançando tão bem…

O sonho parece óbvio para a maioria das bailarinas. Não para mim, que não gosto de pas de deux.

Pausa para todas respirarem.

No meu primeiro semestre de ballet, tive a minha única aula de pas de deux. Foi a minha última aula naquela escola. Era um período de transição, eu estava em duas escolas ao mesmo tempo e decidi abandonar essas aulas depois do que aconteceu.

Um novato adentra a sala de aula. O rapaz nunca havia feito ballet na vida e estava lá para ver como era. Inexplicavelmente, a professora ficou muito empolgada. Ficaram um tempão conversando e eu lá, ao lado da barra, perdendo o meu tempo e a minha paciência.

Ao terminarmos a sequência na barra, a professora teve a “brilhante” ideia: “Vamos fazer pas de deux!”.

Naquele dia, havia apenas duas alunas na aula. Ora ele fazia os passos com ela, ora comigo. Ele não tinha a menor noção técnica de como erguer uma bailarina. Nós, sem saber como proceder fisicamente para o movimento sair corretamente.

Em um momento, ele me ergueu e eu senti uma imensa agonia. Ao descer, ele simplesmente me jogou no chão. Lembro da cena como se fosse hoje.

Ganhei uma lesão no joelho direito. Passei dias sentindo uma fisgada. Deixei a escola, fiquei definitivamente na outra e esqueci o assunto.

Tempos depois, o joelho voltou a doer. Dias mancando. Eu sempre tive problema no joelho esquerdo e ser uma bailarina com lesão nos dois era o que me faltava. Conversei com a fisioterapeuta, para saber o que era. Escutei o seguinte: “Essa lesão é irreversível”.

Hoje em dia, quem me faz sofrer é o meu joelho direito. Volta e meia ele dói, mas ameniza quando os estudos de ballet se intensificam e fortaleço a minha coxa. E isso se torna ainda mais sério com o trabalho de pontas.

Às vezes fico triste com essa história, mas depois passa. Porém, até hoje meus olhos não brilham quando vejo um pas de deux.

Quem sabe a versão tupiniquim do pequeno notável apareça e me faça mudar de ideia.

[O pas de deux final da Branca de Neve eu conheci graças à Vanessa. É o único que realmente me imagino dançando… Já é um começo.]