Presente de aniversário: “As origens do ballet”

Onze anos atrás, eu publiquei o primeiro post do blog. Desde então, foram 961 posts, quase dois milhões e meio de visitas, um livro e uma newsletter mensal. Será que ainda tenho o que dizer depois de tanto tempo?

Eu mantenho uma lista de assuntos para escrever; se eu fizer um post por semana, pelo menos um ano de blog está garantido. Mas nem sempre o tempo e as circunstâncias ajudam, mas o “Dos passos da bailarina” ainda tem um longo caminho pela frente. É o que eu quero, e espero.

Escrevi em todos os aniversários: 2010, 2011, 2012, 2013, 2014, 2015, 2016, 2017, 2018, 2019. Os posts na sequência podem ser vistos aqui. O que mais posso dizer sem me repetir?

O “Dos passos da bailarina” surgiu para falar sobre ballet clássico. Sendo assim, nada melhor para comemorar esses onze anos descobrindo de vez como o ballet clássico começou.

Provavelmente, você já ouviu, leu ou assistiu sobre as origens do ballet clássico. Ou então, sabe apenas que ele começou há muitos e muitos anos, aí tinha um rei, uma turma dançava na corte, depois alguém criou as cinco posições, tem alguma coisa aí da Itália, claro que a França entrou na história porque os passos foram nomeados em francês… Mas, afinal, como tudo começou?

Em quase cinco minutos de animação, “As origens do ballet”, de Jennifer Tortorello e Adrienne Westwood, nos conta essa história. Além de ser uma graça, é claro, objetivo e didático.

Quem não sabe inglês, não precisa se preocupar, há legendas em português. Se elas não aparecerem automaticamente, clique no primeiro ícone da direita. Não apareceu em português? Calma, clique no segundo ícone e selecione o idioma em “legendas”. Pronto!

Muito obrigada por esses anos todos, de coração.

The Origins of Ballet, Jennifer Tortorello e Adrienne Westwood, TED-Ed.

Dez anos

Dia desses, estava dobrando minhas roupas recém-recolhidas do varal e minha mãe entrou no meu quarto. “O que são essas coisas cor-de-rosa?” “São as minhas meias-calças do ballet, encontrei guardadas no armário e resolvi lavar”.

Olhei para aqueles montinhos bem dobrados, um ao lado do outro, e eu me senti olhando para um passado distante. Não faço aulas regulares de ballet há sete anos. Não piso em um palco há nove anos. Há meses e meses não faço uma sequência de barra sequer. Em uma prateleira da minha estante, as minhas sapatilhas de ponta e meia-ponta estão devidamente organizadas com meus sapatos de flamenco. Ou seja, de qualquer forma, a minha barra fixa e meus calçados de dança dizem para quem quiser saber: neste quarto, existe alguém que dançou.

Dançou, pretérito perfeito. A dança infinitamente distante da minha vida.

Nós nos encontramos nos últimos tempos? Sim. Quando eu chorei ao ver a foto dos agradecimentos de uma apresentação pelos 50 anos de Jewels, de George Balanchine; Ópera de Paris, New York City Ballet e Bolshoi juntos foi demais para o meu coração. Quando assisti à nova montagem de O lago dos cisnes, do Royal Ballet, e percebi que Marianela Nuñez é a melhor bailarina da atualidade; que Liam Scarlett compreendeu a grandeza desse repertório e reverenciou o ballet clássico como poucos conseguiram. Quando assisti ao vídeo que a Myrna Jamus me deu de aniversário e senti a bailarina acordar em mim novamente. Quando encontrei este vídeo para acompanhar o post e chorei ao assisti-lo.

Paloma Herrera como diretora de ballet do Teatro Colón e Marianela Nuñez como convidada para dançar Aurora, de A Bela Adormecida, ambas falando a respeito da montagem. Não há nada demais aí. Sempre admirei as duas como grandes artistas, mas vê-las falando em espanhol, em um teatro da Argentina, terra natal delas, praticamente aqui ao lado foi um despertar para mim. O ballet clássico continua aqui ao lado. Ele não está apartado da minha vida.

O blog sempre foi uma extensão do meu amor, do meu apreço e da minha dedicação à dança. Nos momentos mais presentes, havia mais posts, mais vídeos, mais links, mais informação. Nos momentos mais distantes, apenas uma coisa ou outra. Três meses sem postagens quer dizer apenas isso, eu nem lembrei que o ballet clássico existia.

Aí, veio o aniversário. Hoje o Dos passos da bailarina está fazendo dez anos. Aquele peixinho fora d’água, que não queria mais ser solitário, resolveu criar um blog. Lembro da lista de nomes. O primeiro post. Os textos de uma novata, depois de uma estudiosa, depois de alguém que apenas gostava de dançar. O livro. As tantas histórias de vocês. Quem começou e parou, quem começou e se tornou profissional, quem voltou e continuou. Há quem não tinha nascido e hoje está no baby class ou nos primeiros anos. Quem era criança e hoje é adolescente, quem estava saindo da infância e hoje é jovem, quem era jovem e hoje é adulta. Eu pisquei, o tempo passou e chegamos a uma década neste caminho.

Foi como eu queria? Um pouco sim, um tanto não. Foi o suficiente? Não sei. Só uma coisa é certa: foi como deveria ser.

Obrigada por todos esses anos, de coração. O blog não terminou, eu quero continuar, talvez em outros termos. Textos mais longos de vez em quando, um podcast curtinho, quem sabe? Mas este lugar está longe de acabar, porque é ele quem sempre me lembra: “Bailarina, você não vai voltar a dançar?”.

Vou sim. Não sei quando, mas eu vou.

Nove anos de blog!

Eu tinha 29 anos. Eu estava no primeiro ano do curso regular de ballet clássico. Eu fazia aulas na minha segunda escola. Eu queria me formar. Eu me sentia um peixe fora d’água.

Eu tenho 38 anos. Não estou fazendo aulas de ballet clássico. Eu passei por três escolas de dança. Desisti de me formar. Eu não me sinto mais um peixe fora d’água.

Nove anos entre o começo do “Dos passos da bailarina” e hoje. Tantas idas e vindas, mas uma coisa não mudou: continuamos por aqui.

Quem acompanha o blog assiduamente deve ter percebido que os posts voltaram. Nada de passar um mês sem publicar e assim será, dou minha palavra. Porque eu voltei a sentir vontade de estar neste lugar. Porque voltei a me sentir bem com o ballet clássico. Porque aceitei essa nossa relação, que não é a dos meus sonhos, mas é a que podemos ter.

Obrigada por todas vocês ao longo desses anos, a quem vinha sempre e deixou de vir, a quem só passou de vez em quando, a quem veio e não saiu mais.

Rumo aos 10 anos? É o que eu espero! Sigamos juntas até lá!

Karla Doorbar, The Taming of the Shrew, Birmingham Royal Ballet. Foto: Caroline Holden. Fonte: @thebeautyofbrb.