Variação da Colombina

Harlequinade (1900) é um ballet de Marius Petipa com música de Riccardo Drigo. Quem não conhece o pas de deux e as variações masculina e feminina? Famosos em festivais e competições pelo mundo afora, essas coreografias tão conhecidas não fazem parte da obra original, sabiam? Elas foram criadas por Pyotr Gusev na década de 1930 e com outras músicas de Riccardo Drigo. Para saber mais, clique aqui.

Em 2018, Alexei Ratmansky fez a reconstrução* de Harlequinade (1900) para o American Ballet Theatre. Esta é a “Variação da Colombina”, dançada pela bailarina Skylar Brandt. Não é uma graça?

“Variação da Colombina”, Harlequinade, reconstrução de Alexei Ratmansky, Skylar Brandt, American Ballet Theatre, 2020.

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* Reconstruções são montagens muito próximas das ideias de seus criadores. Para isso, pesquisam-se notações coreográficas, documentos históricos, vídeos, depoimentos de participantes das montagens originais e demais materiais que ajudem a recompor o repertório.

A altura das pernas em “A Bela Adormecida”

Na newsletter de dezembro, eu publiquei a tradução de uma postagem no Facebook do Alexei Ratmansky, um dos coreógrafos mais expressivos do nosso tempo e responsável pelas reconstruções de vários repertórios, em que ele comentava sobre a altura das pernas em A Bela Adormecida. Como o assunto é importante, resolvi publicar no blog também.

Em “A tal da perna alta“, eu escrevi por que pernas altas em repertórios me incomodam demais. Vocês têm percebido como elas estão mais baixas em algumas montagens mais recentes? Eu acho infinitamente mais bonito.

A publicação original do Alexei Ratmansky é esta. Eu a traduzi livremente e republiquei as imagens. A diferença salta aos olhos.

A BELA ADORMECIDA: por quase um século, Aurora ergueu sua perna logo acima do nível do quadril. Você pode ver algumas bailarinas importantes ainda fazendo isso em meados dos anos 1980… Hoje, o padrão se tornou diferente ‒ se Aurora não mostrar a sua calcinha à plateia e aos pretendentes ela não é considerada boa o suficiente. A forma da arte evolui, eles dizem… Eu não posso negar o poder dessa ferramenta ‒ você faz um espacate completo e o público é seu imediatamente, mas a geometria de Petipa é muito específica. Agora nós temos uma compreensão muito melhor disso graças às notações de Sergeev. Na produção da ABT [Ratmansky reconstruiu A Bela Adormecida para o American Ballet Theatre], nós mostramos as intenções originais (não apenas os developpés baixos), então você vê o que foi perdido e o que foi mudado desde que esse trabalho genial foi criado.”

Margot Fonteyn, Carla Fracci, Ekaterina Maximova, Irina Kolpakova.

Svetlana Zakharova, Ana Sophia Scheller, Liudmilla Konovalova, Anna Nikulina. (Alexei escreveu na legenda das fotografias: “Para ser justo, Svetlana fez lindamente developpés contidos em nossa produção do La Scala”.)

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Muito obrigada à querida Sarah, leitora de longa data, que compartilhou essa publicação comigo.

Aurora e uma pausa no tempo

Estava eu preparando a publicação desta segunda, que seria um texto, e resolvi pesquisar uma bela imagem para ilustrá-la. Pesquiso aqui, olho ali, vejo acolá e me deparo com uma fotografia da Sarah Lane, para a Pointe Magazine, usando um dos figurinos de Aurora da reconstrução de A Bela Adormecida do Alexei Ratmansky.

Sarah Lane, Pointe Magazine, novembro de 2015. Foto: Nathan Sayers.

“Ora, ora, ora, não vai tomar muito o meu tempo se eu assistir a algum vídeo dessa montagem, vai?”.

Aí me deparo com a Sarah Lane usando este figurino, ensaiando uma das variações de Aurora na Ópera de Paris, quando o American Ballet Theatre fez parte da temporada 2016/2017 da companhia. Adeus, texto, nos vemos em outro dia da semana.

Sarah Lane, ensaio da “Variação de Aurora” do segundo ato, A Bela Adormecida, Ópera de Paris (Opéra Bastille), 2016.