Prelude

Aposto que várias de vocês conhecem este vídeo.

Alessandra Ferri dança enquanto Sting toca, ao violão, Prelude da suíte nº 1 para violoncelo, de Bach. Vocês já ouviram a música no instrumento para o qual ela foi composta?

Eu quero dançar essa coreografia ao som do violoncelo. Quero não, vou! Virou sonho de bailarina.

Carmen

Se você me ama, eu não te amo.
Se eu te amo, é melhor tomar cuidado!
Carmen, de Bizet

Depois de A dama das camélias, mais um ballet feito especialmente para mulheres: Carmen. Inspirado na ópera em quatro atos de Georges Bizet, com base na novela homônima de Prosper Mérimée, conta a trágica história de amor entre uma cigana, Carmen, e um cabo do exército, Don José.

Há várias versões, desde a primeira do Petipa (o onipresente dos ballets de repertório), em 1845, até a de Rafael Aguilar, em 1992. Provavelmente há uma série de outras montagens entre esses e mais outras que sequer desconfiamos. No fim das contas, a gente acaba escolhendo qual prefere ou qual gostaria de dançar.

Encontrei um vídeo belíssimo com a Alessandra Ferri e o Laurent Hilarie, com coreografia de Roland Petit, de 1949. Como a publicação no blogue não foi aceita, as curiosas podem assistir clicando aqui.

A versão mais conhecida é a de Alberto Alonso, de 1967. A Alicia Alonso é perfeita no papel principal, parece que a personagem foi feita para ela.

Agora, a minha preferida. Desconheço o autor da coreografia (talvez tenha sido apenas para a competição), dançado por uma menina (para mim, é ballet para uma mulher), mas eu me apaixonei perdidamente. Dançarei um dia, nem que seja adaptada.

Sou suspeita para falar sobre Carmen porque amo tudo: a história, a música, a ópera, o ballet, o flamenco. Só falta eu ler o livro, o que provavelmente farei sem tardar.

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A história da ópera, aqui.
O trailer da ópera, aqui.
O ballet e suas mil coregrafias, aqui.
A sensacional Maria Callas cantando “Habanera” (a música que abre o post), aqui.

E quando a gente quer outra coisa?

Há tempos eu venho pensando sobre isso. Seja cá com meus botões, lendo sobre o assunto, acompanhando discussões na comunidade Ballet Adulto no Orkut. A minha questão é: e quando não queremos ser profissionais do ballet?

Em relação às professoras, acho que elas devem nos ensinar da mesma maneira, não importa o que a gente queira. Porém, independentemente da idade, qualquer dança escolhida não carrega esse “fardo”. Posso dançar flamenco e me profissionalizar, se quiser. Posso fazer dança do ventre e me profissionalizar, se quiser. Posso sapatear e me profissionalizar, se quiser. Mas isso não está implícito. Posso seguir adiante, se quiser, ou manter o meu hobby, fazer minhas aulas semanais, sair da aula feliz e dançar no espetáculo de fim de ano. Pronto.

Já o ballet é diferente. Bailarinas assim são 24 horas por dia. Querendo ou não, nos vemos assim, e as professoras nos veem assim. As aulas semanais nunca são suficientes. Temos de pensar ballet o tempo todo. Dançar mentalmente o tempo todo. Se emocionar com o ballet o tempo todo. Estar com a sapatilha mesmo quando estamos descalças.

E quando não é isso que a gente quer? E quando queremos apenas dançar?

Alessandra Ferri em Romeu e Julieta.
Foto: Fabrizio Ferri.

O ballet não é mais o meu sonho de criança, é minha realidade de mulher adulta. Não suspiro com as variações, mas penso naquelas que desejo dançar. Não perco o sono quando não consigo algo, mas me sinto desmotivada por ser exigida além do que posso dar.

Eu não quero ser uma bailarina profissional, não importa se numa companhia, sendo professora ou pesquisadora. Eu sou revisora de textos e estou satisfeita com o meu trabalho. O ballet é o meu hobby, é para eu relaxar, pensar em outras coisas, não ter preocupações. Então, por que me preocupo o tempo todo? Por que exijo algo que não quero? Por que sofro por não conseguir o que não sonho para mim?

Eu só quero dançar. No ballet, será que posso fazer “apenas” isso? Porque, se não der, talvez eu esteja no caminho errado.