Documentário: Ballet Now

Em uma manhã chuvosa, estava eu passeando pelo Globoplay antes de começar meus afazeres do dia. Então, me deparei com um documentário sobre dança, de pouco mais de uma hora, que em breve sairá da plataforma. Vou assistir.

O documentário Ballet Now (2018) acompanha Tiler Peck, primeira-bailarina do New York City Ballet, em seu trabalho como curadora da gala BalletNOW, realizada pelo The Music Center, em Los Angeles. Primeira mulher a exercer essa função, ela tem de lidar com as escolhas de repertório e artistas, produção, ensaios e, além disso, dançar.

Trailer do documentário Ballet Now (2018)

Uma série de coisas ficam evidentes ao longo do filme. Tiler tem uma visão ampla de dança, ela pensa no público, em agradá-lo de diversas maneiras, contemplar diversos gostos e visões de dança. Ela tem um profundo respeito por profissionais de outras áreas e de outras modalidades. Além disso, vemos que ser uma bailarina clássica não é sinônimo de dançar bem todas as outras danças. Vocês sabiam disso, certo?

Cena do documentário Ballet Now (2018)

Também acompanhamos as dificuldades em aprender uma obra do zero, com pouco tempo de ensaios. As dores no corpo, os passos que não saem como deveriam, os erros no tempo da música. O trabalho árduo antes do encantamento no palco. A sensação é de que não vai dar tempo.

Na parte final, assistimos a várias passagens da apresentação. Tudo se encaixa, tudo acontece, tudo dá certo. A plateia chega a aplaudir em cena aberta. E eu novamente entendi por que gosto tanto de dança.

No Brasil, Ballet Now (2018) está disponível no Globoplay, mas em breve sairá da plataforma. Corra para assistir, vale muito a pena.

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Não importa em qual meio, de alguma maneira vamos nos encontrar.

Sentir-se uma criança

Há onze anos, eu não me apresento em um palco dançando ballet clássico. Dia desses, estava lembrando dessa época e do meu desconforto nas apresentações.

Durante o meu período de aulas de dança, eu me apresentei em três espetáculos. Ao todo, foram quatro coreografias de ballet clássico, duas de dança do ventre e uma de jazz musical. Eu não entendia por que me sentia “estranha” apenas ao dançar ballet. Medo do palco nunca foi, porque fiz cinco anos de teatro e participei de três peças antes de começar a dançar. Em relação aos cursos, no teatro raramente nos apresentamos uma única vez, você fará uma minitemporada de qualquer forma. Na dança, são meses de ensaio para três minutos no palco, se muito, e acabou.

Também por essa razão, os públicos são diferentes. No teatro, há muitas pessoas que não conhecem ninguém ali e vão assistir à peça. Na dança, são familiares e pessoas próximas das alunas que vão assistir à apresentação de uma pessoa querida.

O meu incômodo poderia ser pela minha própria inabilidade? Nunca dancei bem ballet clássico e sempre me senti meio desengonçada. Mesmo seguindo a coreografia, eu me sentia fora do lugar.

E os figurinos? O primeiro foi um vestido lindo e o último foi um macacão, muito bonito também. Ambos eu guardo até hoje. Tutu mesmo só usei o romântico, um rosa e outro branco, e nas provas de figurino eu dizia que parecia um algodão-doce. Com o tutu rosa, eu realmente parecia. O figurino era lindo, minha mãe chorou ao me ver no palco, mas eu me sentia com 10 anos de idade. Eu tinha 29. Preciso dizer que doei os tutus?

Assim, tive um estalo: eu me sentia como se estivesse em uma apresentação da quinta-série. Eu me sentia uma criança.

Não, não é essa a visão que eu tenho de uma bailarina. Ao ver profissionais dançando de tutu, nunca olhei para nenhuma delas como uma menina. Pelo contrário, sempre vi mulheres e as acho incríveis. Existem alguns questionamentos a respeito da infantilização da mulher no ballet clássico? Sim, existem, mas poderemos falar sobre esse assunto em um outro dia. Há praticantes de ballet clássico que, mesmo sem querer, se mostram um pouco infantilizadas? Também existem, mas é uma escolha, ou um desejo. O ponto não é esse, mas como eu me sentia.

Sempre aparentei ser mais nova, e a minha altura também não ajuda, tenho 1,50m. Por isso, costumo ser vista como fofa sem qualquer tentativa de infantilização da minha parte (Afinar a voz, falar devagar, virar a cabeça para o lado ao prestar atenção no que dizem e sorrir curtinho para evidenciar as bochechas, sabem como é?). Agora, imaginem uma fofa de tutu, dançando ballet e meio desengonçada. Quando temos 10 anos é uma graça. Aos 30 anos, não.

Por essa razão, mas sem ter consciência disso, não sentia o palco como o meu lugar. Se eu dançasse bem, me sentiria de outra maneira? Talvez. Se eu dançasse mais vezes e para um outro público, seria diferente? Quem sabe. Se eu dançasse com outro figurino, me sentiria mais confortável? Pode ser. O “se” é sempre uma possibilidade.

A realidade é que, de bailarina tule cor de rosa, eu me sinto uma criança. Ou um algodão-doce.

*

ATUALIZAÇÃO:
Pesquisando para a newsletter de novembro, encontrei o post “A diferença entre a sala de aula e o palco”, de novembro de 2009, em que eu falava sobre me sentir inadequada dançando ballet clássico. Onze anos entre a dúvida e a resposta.