Um cisne, uma mulher ou uma mistura dos dois?

Ao assistir à Odette dançando a sua variação, o que vocês veem: um cisne, uma mulher ou uma mistura dos dois?

Eu nunca tinha parado para pensar nessa questão até ler uma breve explicação no perfil da Marius Petipa Society. De maneira geral, as bailarinas dançam essa variação como se fossem uma “mulher-cisne”. Os movimentos dos braços que reproduzem os movimentos das asas de um cisne são icônicos; quem não os reconhece?

“Variação de Odette”, O lago dos cisnes, The Royal Ballet, Natalia Makarova.

Pois sabiam que a ideia original não era essa? Eu traduzi a explicação da Marius Petipa Society.

“Talvez em cada produção moderna de O lago dos cisnes, Odette é fortemente retratada como metade mulher, metade pássaro. De qualquer forma, isso é muito diferente de como Petipa e Ivanov a retrataram. Como mostrado neste vídeo, os passos tradicionais de ‘cisne’ estão ausentes na coreografia de Ivanov. Isso porque Odette é uma jovem mulher transformada em cisne por um feitiço mágico, em vez de uma criatura metade mulher, metade pássaro, ou um verdadeiro cisne. Nesse ponto do ballet, ela está em sua forma humana, então, não há lógica por que ela dança como um pássaro em vez de um ser humano.

“Durante a União Soviética, Odette foi transformada de um papel [personagem] a um símbolo do classicismo, por isso ela é tradicionalmente tão associada aos passos do pássaro. Foi Agrippina Vaganova quem adicionou os famosos braços de cisne usados hoje. Embora Petipa e Ivanov tenham usado braços de cisne, eles não eram tão exagerados quanto os de Vaganova.”

(Fonte: Marius Petipa Society)

O vídeo citado no texto é este.

“Variação de Odette”, O lago dos cisnes, Teatro Alla Scala, reconstrução de Alexei Ratmansky,  Nicoletta Manni. (Fonte: Amy Growcott)

Vocês perceberam como é diferente? É outra coisa! Os braços continuam fluidos e belos, mas sem as ondulações tão características. Confesso, gosto mais da Odette mulher, o problema é desapegar da Odette que conheço há tantos anos.

Presente de aniversário: “As origens do ballet”

Onze anos atrás, eu publiquei o primeiro post do blog. Desde então, foram 961 posts, quase dois milhões e meio de visitas, um livro e uma newsletter mensal. Será que ainda tenho o que dizer depois de tanto tempo?

Eu mantenho uma lista de assuntos para escrever; se eu fizer um post por semana, pelo menos um ano de blog está garantido. Mas nem sempre o tempo e as circunstâncias ajudam, mas o “Dos passos da bailarina” ainda tem um longo caminho pela frente. É o que eu quero, e espero.

Escrevi em todos os aniversários: 2010, 2011, 2012, 2013, 2014, 2015, 2016, 2017, 2018, 2019. Os posts na sequência podem ser vistos aqui. O que mais posso dizer sem me repetir?

O “Dos passos da bailarina” surgiu para falar sobre ballet clássico. Sendo assim, nada melhor para comemorar esses onze anos descobrindo de vez como o ballet clássico começou.

Provavelmente, você já ouviu, leu ou assistiu sobre as origens do ballet clássico. Ou então, sabe apenas que ele começou há muitos e muitos anos, aí tinha um rei, uma turma dançava na corte, depois alguém criou as cinco posições, tem alguma coisa aí da Itália, claro que a França entrou na história porque os passos foram nomeados em francês… Mas, afinal, como tudo começou?

Em quase cinco minutos de animação, “As origens do ballet”, de Jennifer Tortorello e Adrienne Westwood, nos conta essa história. Além de ser uma graça, é claro, objetivo e didático.

Quem não sabe inglês, não precisa se preocupar, há legendas em português. Se elas não aparecerem automaticamente, clique no primeiro ícone da direita. Não apareceu em português? Calma, clique no segundo ícone e selecione o idioma em “legendas”. Pronto!

Muito obrigada por esses anos todos, de coração.

The Origins of Ballet, Jennifer Tortorello e Adrienne Westwood, TED-Ed.

Maria Baderna

O programa Fantástico tem um quadro intitulado “Mulheres Fantásticas” – são histórias de mulheres do passado e do presente que fazem diferença no mundo.

No último domingo, o tema foi a dança como ferramenta transformadora. Conhecemos a história de Maria Baderna, bailarina italiana que além de mudar os rumos da sua carreira no Brasil, entrou para o nosso dicionário; e Dora Andrade,  bailarina que dançou mundo afora e há 20 anos mantém uma escola de dança em Fortaleza voltada a crianças de baixa renda.

A animação que conta a história da Maria Baderna é de uma delicadeza sem tamanho. E que mulher incrível!

Mulheres Fantásticas #11 | Marietta Baderna

Para assistir ao episódio completo, aqui.
Para assistir a todos os episódios de “Mulheres Fantásticas”, aqui.
Para saber mais sobre Maria Baderna, leia a matéria “A bailarina Baderna e a história de resistência por trás dessa palavra”, aqui.