Doze anos de blog

Ontem, estava eu fazendo uma lista de nomes para um blog sobre ballet clássico, porque eu me sentia um peixe fora d’água e queria escrever sobre o assunto. Doze anos depois, estou eu escrevendo sobre um blog que faz parte da minha vida.

Em 2009, eu fazia aulas de ballet clássico há quase dois anos, estava apaixonada por esse novo caminho, mas me sentia deslocada, sentia que ali não era o meu lugar. Escrevi sobre esse sentimento algumas vezes, nem sempre fui compreendida, noutras fui acolhida, mas vocês acreditam que esse sentimento nunca passou? Fazer ballet continua sendo um lugar estranho para mim, como estar apaixonada por alguém que nunca pareceu me notar.

Hoje, ao olhar para trás, esse início parece uma outra vida! Um passado distante, em que nos esforçamos para relembrar. A dança tomou outros espaços na minha vida, na plateia e na escrita, mas não mais nas sapatilhas.
Isso vai mudar? Quem sabe um dia. Quem sabe um dia eu volte a dançar.

Independentemente desta minha relação com a dança, o blog continuou e agora virou uma adolescente. Doze anos e quase mil posts depois, quanta dança estão nestes textos. Eu estou fazendo uma revisão de todos os vídeos, repondo os links quebrados e deixando este acervo de informação no seu melhor para vocês pesquisarem o quanto quiser.

Além disso, vocês sabem quem está por trás do “Dos passos da bailarina”? Para àquelas pessoas que não me conhecem, o meu perfil e como o blog começou estão aqui.

Agora, vamos comemorar? Um vídeo curtinho, de um minuto, que acredito ser uma bela versão do atual momento do “Dos passos da bailarina”.

A vocês que acompanham o blog, há pouco tempo ou desde sempre, muito obrigada! Sem vocês, o blog não teria razão de existir.

Trecho de Her Door to the Sky, Pacific Northwest Ballet, 2017.

Vocabulário de dança em francês

Não é preciso conhecer a história do ballet clássico para saber a importância da França na sua formação e consolidação no mundo da dança; além do mais, praticamente toda a terminologia é em francês.

O texto “O francês em sala de aula” foi uma das primeiras publicações do blog. Lá eu dizia sobre a importância de conhecermos minimamente o significado das palavras porque isso facilitaria o nosso desenvolvimento na dança.

Quase doze anos depois, olha que interessante: a professora de francês Elisa, do Avec Elisa, publicou ontem no YouTube uma aula sobre vocabulário de dança em francês. O vídeo é curto, tem 15 minutos, mas é possível aprender o básico. Importante ressaltar que não é voltado apenas para o ballet clássico, há tanto termos gerais como alguns específicos de outras modalidades.

Vamos estudar?

“Aprender francês em contexto: vocabulário de dança em francês”, Avec Elisa, 11 jan. 2021.

Os primeiros passos de um novo ano

Quem não conhece Dom Quixote? No mundo da dança, é mais fácil associarem esse nome a Marius Petipa e Ludwig Minkus do que a Miguel de Cervantes. Os primeiros acordes do desafio ou da variação de Kitri são suficientes para o figurino e a coreografia surgirem na nossa mente.

Porém, Marius Petipa não foi o primeiro a adaptar o romance para a dança. A primeira montagem foi realizada em 1740 pelo coreógrafo austríaco Franz Hilverding. Desde então, acho difícil termos um número exato das diversas montagens e remontagens inspiradas nessa obra realizadas ao longo de tanto tempo. Uma coisa é certa: Dom Quixote faz parte do nosso imaginário.

Sendo assim, o que faz parte do nosso imaginário é difícil enxergá-lo de outra maneira. Pegue a Kitri que você conhece, o nome dela é Aldonza. Esse é o nome daquela que inspirou a personagem Dulcineia na obra literária. Também é o nome da personagem na montagem de Dom Quixote (2016), de Aaron S. Watkin, para o Semperoper Dresden Ballett. Além disso, ele acrescentou músicas de Manuel de Falla às conhecidas de Ludwig Minkus. Eu publiquei um trecho dessa montagem anos antes: a coda do sonho, muito diferente da nossa velha conhecida. Nasceu uma obra nova, mas ainda assim encantadora.

Eu gosto especialmente desta variação e a achei perfeita para a primeira publicação de 2021. Tantas coisas mudaram, mas ainda assim vamos seguir sendo quem somos. Ou melhores do que éramos no passado.

“Segunda Variação de Aldonza”, ato 1, Dom Quixote, Semperoper Dresdren, Svetlana Gileva.